Um casal de agricultores australianos encontrou, ao limpar um terreno esquecido, enormes bulbos de alho-elefante russo que cresceram sem cuidados durante seis anos.
Yasmine e Adam Bonner cultivam alho sem produtos químicos na propriedade The Garlic Clinic, em Brogo, Nova Gales do Sul.
Eles encontraram gigantescos “ninhos” de plantas ao remover a grama que havia crescido em uma área atrás do galpão.
O casal havia descartado resíduos do processamento de alho naquele local anos atrás, sem imaginar que as sementes deixadas ali germinariam e formariam bulbos monumentais.
Sem irrigação ou fertilizantes, os bulbos cresceram e formaram estruturas densas e compactadas, que nenhum dos dois havia visto em toda sua experiência com o cultivo.
Gigantes que desafiam o recorde mundial
Quatro dos bulbos do casal, com as hastes, pesaram 5,05 kg na balança, mais de quatro vezes o recorde mundial oficial.
Segundo o Guinness World Records, o recorde para o bulbo de alho mais pesado foi estabelecido na Califórnia, em 1985, com um exemplar de 1,19 quilograma.
Tecnicamente, os bulbos australianos poderiam ter quebrado esse recorde, mas há uma complicação: o alho-elefante russo não é, na verdade, alho.
Segundo classificação científica, o alho-elefante russo está mais próximo do alho-poró do que do alho propriamente dito.
Yasmine explicou ao ABC que é algo engraçado porque o alho-elefante ainda tem gosto de alho, parece alho e cresce como alho, mas tecnicamente dizem que é um alho-poró.
Por isso, não é possível comparar claramente os achados: o antigo recorde pode ter sido estabelecido por um cultivar de leque similar.
O cultivo acidental e a beleza do negligenciamento
Os bulbos cresceram sem cuidados porque foram plantados em uma área que não era cortada, onde o casal havia instalado árvores.
Sem intervenção humana, eles se desenvolveram sem rega, fertilizantes ou qualquer manejo convencional.
A descoberta revelou um padrão inusitado: os bulbos formaram o que o casal chamou de “ninhos”, aglomerados densos de várias plantas muito próximas uma da outra, todas competindo pelo mesmo espaço subterrâneo.
Adam descreveu sua reação ao descobrir a plantação acidental: “Fiquei surpreso. A primeira coisa que fiz foi simplesmente ficar em pé sobre aquilo e olhar para tudo”.
Para quem dedica a vida ao cultivo de alho, encontrar algo tão fora do comum foi emocionante a ponto de ofuscar qualquer consideração sobre o recorde mundial.
O casal não se preocupou em medir cada bulbo separadamente, o que poderia ter mudado o resultado final se tivesse buscado a homologação oficial.
Uso culinário e a reputação controversa
Apesar da classificação botânica controversa, Yasmine e Adam apreciam o alho-elefante russo.
Também cultivam outras variedades sem produtos químicos: alho rosa italiano, alho branco italiano, alho com listras roxas e alho vermelho Monaro.
A última variedade foi trazida à Austrália pelos primeiros escavadores iugoslavos que trabalharam na hidrelétrica das Montanhas Nevadas.
John Oliff, presidente da Australian Garlic Industry Association, considera-se um purista do alho e afirma que, por muitos anos, o alho-elefante foi considerado uma espécie de erva daninha nas estradas.
O casal, porém, vê beleza e utilidade nos bulbos de sabor suave, especialmente nas flores ornamentais.
Adam prefere transformar o alho-elefante russo em alho preto, e o processo envolve cozimento lento e contínuo, em temperaturas muito baixas, durante três ou quatro semanas.
O processo carameliza o alho e realça a doçura natural dos bulbos, criando um produto que Adam descreve como “requintado” e “uma delícia culinária”.
Para o casal, comer alho fresco regularmente faz parte do dia a dia.
Adam leva alho cru na marmita para o trabalho, sem se preocupar com possíveis efeitos no hálito ou com pessoas que sofrem de aliumfobia, o medo irracional de alho.













