A produção brasileira de arroz deve cair 13,2% na safra 2025/26, para 11,08 milhões de toneladas, enquanto a de feijão recua 3,6%, para 2,95 milhões de toneladas, segundo o 12º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 15 de setembro. A redução ocorre principalmente pela menor área destinada às duas culturas, enquanto soja e milho avançam.
No arroz, a área plantada diminuiu 14%, para 1,52 milhão de hectares. No feijão, a queda foi de 5,7%, embora a produtividade tenha crescido 2,2%. Segundo a Conab, não há risco imediato de desabastecimento, mas a oferta menor pode aumentar a pressão sobre os preços, principalmente se o próximo ciclo enfrentar problemas climáticos.
Arroz já mostra reação no campo
O preço do arroz acumula alta de 0,4% no ano, mas caiu 8,8% nos últimos 12 meses, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor. Segundo o FGV Agro, o mercado está saindo de um período de contração, que agora perde força.
O mercado do arroz começa a refletir a menor disponibilidade. No Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro, a saca de 50 quilos chegou a cerca de R$ 80 no fim de agosto. A valorização está ligada à menor oferta disponível e à cautela dos produtores em vender, enquanto as indústrias precisam recompor estoques.
Feijão acumula pressão sobre o bolso
O feijão carioca acumula alta de 42,3% em 2026, enquanto o feijão preto sobe 25,8%. As altas colocam o feijão entre os itens que mais pressionam a inflação dos alimentos. Apesar dessa pressão, os dados mensais recentes mostram sinais de arrefecimento: o feijão carioca caiu 4,8% em agosto, e o preto recuou 0,6%.
Embora tenha começado 2026 sob forte pressão de alta, o feijão caiu no varejo com a maior oferta da colheita recente. O quilo caiu 5% nos supermercados em agosto, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, embora ainda carregue os aumentos do início do ano.
Soja e milho ganham espaço
A mudança no perfil da produção ajuda a explicar a redução das áreas de arroz e feijão. Enquanto os dois alimentos perdem espaço, culturas voltadas principalmente ao mercado de commodities avançam:
- Soja: produção estimada em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2%.
- Milho: produção estimada em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2%.
- Arroz: produção de 11,08 milhões de toneladas, queda de 13,2%.
- Feijão: produção de 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6%.
A redução da área dedicada aos alimentos básicos não significa que os preços necessariamente subirão de imediato. Estoques, importações, custos de produção, clima e demanda também influenciam o valor pago no supermercado.













