Sapezal, no Mato Grosso, assumiu em 2025 a liderança nacional em valor da produção agrícola, após registrar R$ 8,59 bilhões.
O resultado colocou o município à frente de São Desidério, na Bahia, e de Sorriso, também mato-grossense, que havia ocupado o primeiro lugar do ranking durante seis anos.
São Desidério ficou na segunda posição, com R$ 8,22 bilhões, enquanto Sorriso terminou o ano com R$ 8,16 bilhões.
Os números fazem parte da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira (17). O levantamento também mostrou um crescimento expressivo do setor em todo o país.
Em 2024, o valor da produção agrícola brasileira chegou a R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% em relação ao ano anterior.
Concentração no Centro-Oeste e no oeste baiano
Os dez maiores produtores agropecuários do país somaram R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de todo o valor da produção agrícola brasileira.
O ranking se concentra em três estados: cinco cidades ficam em Mato Grosso, três em Goiás e duas na Bahia.
Mato Grosso registrou R$ 165,6 bilhões em valor de produção agrícola e foi o estado líder. No recorte regional, o Centro-Oeste alcançou R$ 288 bilhões, ultrapassando o Sudeste.
A Bahia também ganhou espaço: dois dos cinco maiores municípios produtores do país ficam no oeste baiano.
Essa região fica dentro do que se chama de Matopiba, área de expansão agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O algodão elevou Sapezal; a soja domina o setor
A ascensão de Sapezal tem origem na produção de algodão, que respondeu por R$ 5,13 bilhões do valor local.
A soja complementou com R$ 2,8 bilhões, e o milho contribuiu com R$ 657 milhões. Esse tripé permitiu crescimento de 46,6% na produção do município em relação a 2024.
No Brasil, porém, a soja é o principal produto agrícola. O grão movimentou R$ 315,2 bilhões em 2025, aproximadamente um terço de toda a produção agrícola nacional, e liderou a produção em grande parte das dez cidades que encabeçam o ranking.
A expansão de área plantada e produtividade nas últimas décadas transformou Mato Grosso, Goiás e oeste baiano em polos globais de commodities agrícolas.
Sorriso perde posição, mas mantém produção elevada
A queda de Sorriso para a terceira colocação não significa uma retração significativa da atividade agrícola do município.
Com R$ 8,16 bilhões em valor de produção, a cidade permaneceu entre os principais polos agrícolas do país.
Parte da mudança no ranking está relacionada a uma alteração territorial ocorrida em 2025.
Com a criação de Boa Esperança do Norte, áreas que anteriormente integravam as estatísticas de Sorriso passaram a ser contabilizadas separadamente.













