Biólogos que atuam na região de fronteira entre a Califórnia e o Oregon, nos Estados Unidos, estão testando uma estratégia pouco convencional para proteger rebanhos dos ataques de lobos: drones equipados com alto-falantes.
Os equipamentos sobrevoam as áreas rurais durante a noite e reproduzem músicas, trechos de filmes e vozes humanas para assustar os predadores e interromper suas tentativas de caça.
A iniciativa ganhou espaço diante da recuperação das populações de lobos no oeste americano e do consequente aumento dos conflitos com criadores de gado.
Pesquisadores do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) utilizam câmeras térmicas desde 2022 para acompanhar os animais e identificar seus deslocamentos durante a noite, período em que os lobos apresentam maior atividade.
O retorno dos lobos e o conflito com criadores
Lobos cinzentos foram caçados até quase desaparecer do oeste americano na primeira metade do século 20. Reintroduzidos em Idaho e no Parque Nacional de Yellowstone, a população se recuperou e saiu da lista de espécies ameaçadas de extinção.
Hoje, centenas habitam Washington e Oregon, dezenas a mais estão no norte da Califórnia, e milhares perambulam próximo aos Grandes Lagos.
O retorno trouxe conflito crescente com criadores de gado, e em 2022, lobos mataram cerca de 800 animais domésticos em 10 estados, segundo levantamento de órgãos estaduais e federais.
Criadores recorreram a cercas eletrificadas, alarmes, cães guardiões, patrulhas a cavalo e à relocalização de predadores, e agora, também usam drones.
Em áreas onde esforços não letais não funcionaram, autoridades aprovam rotineiramente o abate de lobos, incluindo casos recentes em Washington.
Como a tecnologia assusta os predadores
Os drones funcionam à noite, quando os lobos caçam com mais frequência. Além de músicas do AC/DC, os pesquisadores usam trechos de filmes e vozes humanas reais para alarmar os predadores.
Um trecho do filme Marriage Story, de 2019, mostra a atriz Scarlett Johansson dizendo não estar mais aguentando aquela situação. Na cena, o coator Adam Driver questiona o que ela quer e se pode falar com as pessoas.
Quando Dustin Ranglack, pesquisador-chefe do USDA no projeto, testemunhou a primeira interrupção bem-sucedida de uma caçada de lobos por drone, sorriu de orelha a orelha.
Ele disse à AP News que reduzir os impactos negativos dos lobos é essencial para permitir a coexistência entre predadores e humanos.












