A história da família Babinski começou com uma pequena criação de suínos, uma casa que mal parava de pé e uma propriedade comprada sem contrato. Décadas depois, o mesmo terreno em Xavantina, no interior de Santa Catarina, abriga uma granja com cerca de 6 mil suínos.
A mudança de escala veio principalmente com a segunda geração. Deyvis Babinski cresceu ajudando os pais no campo, chegou a deixar a propriedade para tentar a vida na região de Curitiba e, em 2016, voltou para assumir os negócios da família.
A partir daí, mudou o foco da produção para a creche de leitões e levou a granja ao primeiro lugar em desempenho na região em 2025.
De uma dívida paga com milho a uma granja de 6 mil animais
- Leonir Babinski, filho de agricultores, estudou até a quarta série e começou cedo no trabalho rural.
- O pai negociou a compra da terra onde ele vive hoje, mas morreu poucos dias depois, deixando a negociação nas mãos do filho.
- O pagamento foi combinado inicialmente em 3,5 mil sacas de milho em três anos. Depois, passou para 4,5 mil sacas em cinco anos.
- Não houve banco nem contrato formal. O acordo foi feito “no bigode”, segundo Leonir, com o milho entregue a um vizinho, que repassava o pagamento ao antigo proprietário.
- Leonir se casou com Salete e mudou-se para a propriedade em 1985. Na época, a casa era precária e, segundo ele, “praticamente escorada para não cair”.
- A dívida foi quitada em 1990.
- Em 1992, o casal iniciou a criação comercial de suínos com apenas oito fêmeas. A atividade cresceu e se tornou a principal fonte de renda da família.
O começo foi um “caos”
Deyvis cresceu ajudando os pais na propriedade. Depois de se casar, em 2012, mudou-se para a região de Curitiba em busca de uma vida diferente. Em 2016, voltou a Xavantina e assumiu os negócios da família, inicialmente com a ideia de continuar trabalhando com matrizes.
A atividade mudou em 2017, quando entrou em funcionamento o primeiro galpão de creche de leitões. A adaptação foi difícil: Deyvis precisou aprender procedimentos como receber, descarregar e contar os animais.
Com o tempo, a granja adotou processos padronizados, treinamento da equipe e indicadores de desempenho, usados para acompanhar os resultados da criação. Os resultados apareceram gradualmente:
- 2018: segundo lugar em conversão alimentar;
- 2024: segundo lugar novamente;
- 2025: primeiro lugar em desempenho na região.
A conquista de 2025 era um objetivo perseguido havia anos pela família. Deyvis chamou o resultado de “o tão sonhado primeiro lugar”.
Uma nova geração na granja
Hoje, a granja trabalha com cerca de 6 mil suínos, concentrados na fase de creche, com controle de alimentação, ambiente, manejo e indicadores produtivos. A operação também ganhou processos padronizados e equipe treinada. O crescimento deve continuar. A família planeja ampliar a estrutura para 12 galpões.
A sucessão já aparece na geração seguinte. A filha pequena de Deyvis acompanha o pai na propriedade e gosta de visitar a granja. Ainda não há definição sobre seu futuro profissional, mas o contato com o campo já faz parte da infância.













