A seca já aparece de forma mais evidente em diferentes áreas do Brasil, principalmente no Norte e no Nordeste. Dados recentes apontam 158 municípios em alerta de seca, abrangendo cerca de 9,8% do território nacional. Na Amazônia, os níveis dos rios já preocupam, enquanto o déficit hídrico acumulado nos últimos anos aumenta a vulnerabilidade da região.
Entre os municípios em alerta, 101 estão na Bahia, 43 em Sergipe, 42 em Alagoas, 15 no Amazonas e 13 em Roraima. No monitoramento de agosto do Cemaden, quatro municípios baianos chegaram à classificação de seca extrema: Anguera, Lamarão, Santa Bárbara e Tanquinho.
Norte e Nordeste concentram atenção
A preocupação se concentra na Calha Norte do Amazonas, região do Rio Negro e interior do Nordeste, especialmente entre o norte da Bahia e Pernambuco, passando por Alagoas e Sergipe.
O cenário é agravado pelo déficit de chuva acumulado. Entre 97 municípios que passaram para seca severa entre julho e agosto, 91 estavam no Nordeste, principalmente na Bahia, Sergipe e Alagoas.
Na Amazônia, mesmo períodos de chuva podem não ser suficientes para recuperar rios e água armazenada no solo após anos de déficit.
Seca aumenta risco de incêndios
A estiagem também eleva a possibilidade de queimadas. Para setembro a novembro, o Cemaden identificou 209 municípios em alto risco de incêndios, 552 em alerta e 1.976 em atenção.
O risco se concentra principalmente no Centro-Oeste e no sul da Amazônia, alcançando também áreas do Matopiba, oeste de Goiás e Pantanal.
Nem todo evento climático, porém, pode ser atribuído ao El Niño. Frentes frias, tempestades e outros sistemas atmosféricos continuam influenciando o tempo de forma independente.
Previsão e preparação
Para outubro, as projeções indicam condições mais secas no Norte, interior do Nordeste e parte do Centro-Oeste, enquanto Sul e trechos do Sudeste podem ter chuvas acima da média.
O governo federal anunciou R$ 1,335 bilhão para ações relacionadas aos impactos do El Niño, incluindo segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, prevenção e combate a incêndios. A estratégia reúne 24 ministérios e instituições.













