Quando Ida Huddleston, de 82 anos, descobriu que poderia receber milhões de dólares pela terra onde vive há mais de seis décadas, a filha, Delsia Bare, de 54, chegou a assinar os documentos para vender a propriedade. No fim, porém, as duas desistiram.
O motivo não foi o valor, mas o destino da fazenda. A área seria incorporada a um gigantesco projeto de data center ligado à expansão da infraestrutura de inteligência artificial no condado de Mason, Kentucky.
Pelas terras das duas, a oferta chegou a US$ 26,48 milhões, cerca de R$ 133 milhões. Huddleston receberia US$ 4,26 milhões por 71 acres, enquanto Bare negociava 463 acres por mais de US$ 22 milhões.
Mesmo diante da quantia, Huddleston não queria abandonar a casa de madeira que construiu com o marido, William Robert “Bill” Huddleston, nem os canteiros de flores que cultiva há décadas. Foi essa resistência que fez Bare ligar para o corretor e cancelar a venda, segundo contou à PEOPLE.
O que os compradores queriam construir
O interesse surgiu quando uma empresa de tecnologia, cujo nome não foi divulgado, começou a procurar proprietários da região. Descrita como integrante da Fortune 100, a companhia pretende instalar um grande data center.
A área inicialmente prevista era de cerca de 2.000 acres, mas o processo de zoneamento chegou a 2.080 acres em 28 propriedades. O empreendimento é estimado em mais de US$ 1 bilhão e, segundo autoridades locais, pode gerar:
- 400 empregos permanentes;
- mais de 1.500 postos durante a construção.
- De US$ 6 mil para US$ 60 mil por acre
Bare afirmou que as terras valiam cerca de US$ 6 mil por acre quando as negociações começaram. As propostas recebidas pela família, porém, foram muito superiores:
- Huddleston: 71 acres por US$ 4,26 milhões, ou US$ 60 mil por acre;
- Bare: 463 acres por mais de US$ 22 milhões, a US$ 48 mil por acre;
- total: US$ 26,48 milhões.
Outros proprietários também foram procurados. Andy Grosser e o pai, Timothy, recusaram cerca de US$ 8 milhões por sua fazenda, com uma oferta de aproximadamente US$ 35 mil por acre.
O medo de perder a terra
A resistência também vem de experiências anteriores. Parte das terras já foi adquirida pelo governo para obras públicas, alimentando o temor de um novo domínio eminente, mecanismo que permite a aquisição compulsória em determinadas situações.
Segundo a ativista Janet Garrison, uma área de 30 acres poderia receber uma subestação de energia. O receio levou mãe e filha a assinar inicialmente os documentos da venda, mas Huddleston mudou de ideia por não querer deixar a casa e os jardins onde vive há décadas.
Bare cancelou o negócio e disse à PEOPLE que o dinheiro não substituiria o que a família construiu na propriedade. Enquanto isso, moradores questionam os impactos do data center sobre água, energia, meio ambiente e infraestrutura, enquanto autoridades destacam os investimentos e empregos previstos.













