Durante cerca de 20 anos, Philippe Dilard precisou interromper o trânsito sempre que levava as vacas de uma parte da propriedade para outra. A estrada departamental 100 corta a fazenda e separa a granja de uma área de 10 hectares de pasto. Para acabar com as travessias, o produtor francês investiu 55 mil euros em uma solução incomum: um túnel subterrâneo exclusivo para o gado.
O boviduto tem 14 metros de comprimento e passa por baixo da estrada, permitindo que as 180 vacas leiteiras e novilhas atravessem a via sem entrar em contato com os veículos. A estrutura foi instalada em julho, na comuna de Val-de-Scie, em Seine-Maritime, e é apontada como a primeira desse tipo em uma exploração agrícola da região.
Um caminho só para o rebanho
- Estrutura: 14 elementos pré-fabricados de concreto, com cerca de cinco toneladas cada, formam o túnel.
- Travessia: as vacas passam por baixo da estrada sem contato com os veículos e sem precisar ser conduzidas pelo produtor.
- Barreiras automáticas: controlam o acesso às diferentes áreas da propriedade e organizam o deslocamento do rebanho.
- Rotina: após a ordenha, as vacas são liberadas para o pasto. Depois, as barreiras direcionam os animais de volta à sala de ordenha ou para outra área com capim fresco.
- Automação: o boviduto integra um sistema que também conta com robôs de ordenha, reduzindo a necessidade de intervenção manual do produtor.
- Segurança: antes do túnel, Dilard precisava acompanhar o rebanho e interromper temporariamente o trânsito para evitar acidentes.
Uma fazenda de 110 hectares
Dilard assumiu a propriedade dos pais em 1998. Ao lado da esposa, Isabelle, e do funcionário Quentin, administra atualmente 110 hectares, dos quais apenas 15 são destinados ao cultivo de cereais usados na alimentação do rebanho.
O restante é ocupado principalmente por pastagens. A propriedade nunca passou por um processo de remembramento, preservando cercas vivas e bosques entre as diferentes parcelas.
A fazenda tem produção orgânica desde 2016 e fornece aproximadamente 300 mil litros de leite por ano à cooperativa Biolait.
Mais que um túnel
A construção do boviduto faz parte de uma estratégia mais ampla adotada por Dilard para adaptar a propriedade. O produtor investiu em automação, pastagens e práticas de agrofloresta, mantendo árvores e vegetação entre os campos.
A lógica também aparece na alimentação do rebanho: a maior parte das terras permanece destinada ao pastoreio, enquanto uma área menor é usada para produzir cereais.













