O que começou como uma forma de assistir a vídeos de futebol e conteúdos de humor se transformou em uma ferramenta de trabalho para o agricultor senegalês Pape Fall.
Nos últimos dois anos, ele passou a usar o TikTok para divulgar a produção, encontrar compradores e também aprender novas técnicas de cultivo.
Hoje, grande parte dos pepinos produzidos por Fall é comercializada por meio da plataforma. Nos vídeos, o agricultor combina imagens da lavoura com músicas de rap senegalês e informações sobre os produtos disponíveis para venda.
A estratégia faz parte de um movimento mais amplo entre produtores da África Ocidental, que passaram a recorrer às redes sociais para aproximar a produção dos consumidores e ampliar o acesso a informações sobre agricultura.
Em seu perfil, ele mostrava, em um vídeo em loop. Uma montanha de pepinos com uma legenda que informava que havia 1,5 tonelada disponível no dia seguinte, se Deus quisesse, e incluía seu telefone.
Mudança de renda e percepção
Agricultores e especialistas reconhecem que a África Ocidental enfrenta fome e pobreza extremas, agravadas pela redução dos investimentos dos Estados Unidos e de outros doadores.
Mesmo assim, argumentam que o acesso ampliado a informações e mercados pelas redes sociais resultou em colheitas mais produtivas.
A renda média de uma fazenda no Senegal é de US$ 1 mil por ano, segundo estudo do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares publicado em 2017.
Agricultores bem-sucedidos podem ganhar de US$ 3 mil a US$ 4,5 mil. Segundo a especialista em agricultura digital Abbie Phatty-Jobe, as redes sociais estão democratizando o acesso ao conhecimento entre agricultores.
A Caribou criou uma rede de 24 agroinfluenciadores em 11 países africanos que alcança 5 milhões de pessoas, traduzindo pesquisa científica em informação prática para agricultores.
Aprendizado entre produtores globais
Em entrevista à AP News, Fall contou que assistiu a um agricultor marroquino na plataforma explicar um erro comum: cortar os caules inferiores da planta de pepino.
O vídeo alertava que deixar esses ramos garante colheitas maiores. Desde então, Fall segue o conselho e afirma que a prática funciona.
Agora, Fall busca regularmente tutoriais de produtores de todo o mundo para melhorar suas práticas.
O celular se tornou, assim, uma ferramenta de aprendizado e uma vitrine de vendas, transformando a percepção sobre o que é ser agricultor nesta região do continente africano.













