Chuvas muito acima da média despertaram sementes que permaneceram dormentes durante décadas e transformaram áreas do semiárido da Austrália do Sul e de Nova Gales do Sul em um extenso campo de flores.
A floração da Sturt’s desert pea, espécie considerada símbolo da Austrália do Sul, atingiu em 2026 a maior intensidade desde 1974.
O fenômeno foi provocado pela combinação entre a grande quantidade de chuva e a capacidade das sementes de permanecerem inativas no solo até encontrar condições favoráveis.
As flores surgiram mais cedo que o normal e continuam brotando em massa ao longo da Cordilheira de Flinders e nas pastagens da divisa entre os dois estados.
Cores incomuns nesta estação
Embora a combinação de vermelho e preto seja típica, este ano revelou variações raramente vistas no outback: flores rosas, brancas e roxas florescem junto às tradicionais.
Em uma propriedade rural a 270 quilômetros ao norte de Broken Hill, foram registradas nesta temporada flores brancas, roxas e rosas que nunca haviam sido vistas daquela forma no local.
Matt Coulter, curador sênior de horticultura do Jardim Botânico de Adelaide, explicou que essas variações são incomuns, porque a forma clássica vermelha e preta representa aproximadamente 99% dos avistamentos.
A floração foi tão abundante que as cores menos frequentes se tornaram visíveis. Em uma vasta mancha de flores convencionais, às vezes apenas um ou dois botões de outras cores se destacam.
Sementes que aguardam o momento perfeito
As sementes da Sturt’s desert pea permanecem dormentes por muitos anos no solo árido, até que condições ideais favoreçam a germinação.
A região norte do estado recebeu o maior volume de chuva em cerca de 52 anos, desde 1974. Essa umidade despertou as sementes e permitiu que florescessem ao mesmo tempo.
O Jardim Botânico de Adelaide cultiva a espécie a partir de sementes coletadas em Roxby Downs em 1997.
Cada semente passa por inspeção microscópica e recebe um pequeno entalhe, em uma técnica chamada escarificação, para que todas germinem ao mesmo tempo. Elas podem brotar em apenas dois ou três dias.
Uma planta desafiadora fora do deserto
Apesar do espetáculo atual, cultivar essa flor longe de seu habitat natural exige cuidado. A planta precisa de solo bem aerado para evitar o acúmulo de umidade nas raízes.
Ela gosta de umidade, mas não ao redor das raízes. O maior desafio é manter baixa a umidade do ar, porque a espécie vem de um ambiente árido e seco.
Mesmo assim, as flores parecem quase artificiais de tão perfeitas.













