O feijão pode chegar ainda mais caro à mesa dos brasileiros nos primeiros meses de 2027. Uma projeção do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) indica que o feijão-carioca pode alcançar R$ 12 por quilo em fevereiro, em algumas regiões, caso a oferta continue apertada.
O alerta ocorre justamente quando o mercado atravessa um período de preços elevados sem uma reação proporcional do plantio. No campo, negócios já ultrapassam R$ 310 por saca, com altas de R$ 10 a R$ 15 em intervalos de apenas três ou quatro dias.
A situação chama atenção porque a terceira safra, normalmente colhida entre junho e agosto, deveria aumentar a oferta e ajudar a equilibrar as cotações. Desta vez, porém, o produto chegou a um mercado que já vinha pressionado.
Menos área, menos oferta
A produção brasileira de feijão na safra 2025/26 está estimada pela Conab em 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6% em relação ao ciclo anterior. A retração veio principalmente da área cultivada, que diminuiu 5,7%, enquanto a produtividade média avançou 2,2%.
O cenário pode continuar pressionado na próxima safra. No Paraná, um dos principais produtores, a primeira safra de 2026/27 pode ocupar apenas 90 mil hectares, contra 104 mil no ciclo anterior. Se confirmado, será o menor nível desde 2015/16.
O Nordeste, porém, segue na direção contrária. A região deve produzir 711,7 mil toneladas em 2025/26, alta de 17,8%, favorecida pela recuperação da produtividade e por chuvas mais regulares em estados como Bahia, Ceará e Piauí.
- Bahia: 318,5 mil toneladas;
- Ceará: 122,5 mil toneladas;
- Piauí: 71,3 mil toneladas.
A região também ampliou as vendas externas. Entre janeiro e julho de 2026, foram exportadas 17,51 mil toneladas, alta de 31,9% ante o mesmo período de 2025.
Exportação cresce, mas não explica tudo
No país inteiro, as exportações de feijão chegaram a 256,2 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026, avanço de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 200,66 milhões.
Grande parte desse crescimento, porém, está ligada ao feijão-mungo, muito procurado no mercado asiático. Por isso, o aumento das exportações não significa que todo o volume retirado do país seja diretamente equivalente ao feijão-carioca consumido pelos brasileiros.
Mesmo assim, o comércio exterior acrescenta demanda a um mercado que já enfrenta oferta mais limitada. No mesmo período, o Brasil importou 29,46 mil toneladas, principalmente da Argentina.













