O Grupo Atanes, formado por empresas ligadas a uma família de empresários do agronegócio de Mato Grosso, conseguiu reverter a falência decretada em primeira instância e retomou o processo de recuperação judicial.
A decisão foi tomada por unanimidade pela Quinta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça, durante julgamento realizado no dia 15. O colegiado anulou a sentença que havia determinado a falência e restabeleceu a recuperação judicial do grupo.
O processo envolve um passivo de R$ 238,06 milhões, que poderá voltar a ser negociado com os credores dentro do processo de reestruturação.
Como a falência foi decretada
Em maio deste ano, o juiz da 4ª Vara Cível de Rondonópolis determinou a falência do grupo porque os documentos foram entregues fora do prazo.
A decisão foi tomada sem que os credores pudessem apresentar alternativas de renegociação, embora demonstrassem interesse em propor um plano de soerguimento.
O grupo argumentou à Justiça que os atrasos foram causados pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
Também afirmou que as dificuldades financeiras foram agravadas por medidas judiciais posteriores, como o arresto de 74 mil sacas de soja, totalizando mais de 4 toneladas, e a apreensão de mais de 30 caminhões pertencentes às empresas.
Estrutura e operações do conglomerado Agrícola
O Grupo Atanes é formado por membros da mesma família e por quatro empresas: Atanes Serviços Agrícolas, U.V. Agrícola Ltda., V, e Takahashi Atanes Serviços Agrícolas de Frutal Ltda. e VTA Agrícola Ltda, e o núcleo de produção fica em São José do Xingu, no estado de Mato Grosso.
As operações incluem o plantio de soja, milho, algodão e arroz. Além da produção de commodities, o conglomerado oferece serviços de pulverização, manutenção de maquinário agrícola e transporte rodoviário de cargas, e o grupo emprega mais de 150 pessoas na região.
Recuperação abre nova etapa para as empresas
Com a decisão do Tribunal de Justiça, o Grupo Atanes ganha uma nova etapa para reorganizar sua estrutura financeira e negociar as dívidas com os credores.
A retomada da recuperação judicial permite que a família apresente uma alternativa de reestruturação para os débitos e busque condições para manter as atividades produtivas.
O caso passa agora a ser acompanhado dentro do processo de recuperação, que deverá definir os próximos passos para a negociação do passivo e a continuidade das operações do grupo.













