Uma propriedade rural de Colônia Melissa, na região de Cascavel, no oeste do Paraná, perdeu cerca de 30 toneladas de tilápias depois de permanecer quase 25 horas sem fornecimento de energia elétrica.
A interrupção começou às 20h44 do dia 21 e só terminou no fim da noite do dia seguinte. Em uma criação intensiva, na qual milhares de peixes são mantidos em alta densidade, a falta de eletricidade compromete diretamente o funcionamento dos equipamentos responsáveis pela oxigenação da água.
Os responsáveis pela propriedade acionaram a Copel poucos minutos depois de identificar o problema.
Segundo os criadores, a concessionária informou que enviaria uma equipe ao local e, durante a madrugada, uma mensagem indicou que o fornecimento seria restabelecido.
A equipe, porém, não teria chegado à propriedade. O chamado acabou sendo encerrado no sistema sem que um técnico realizasse a religação.
A corrida desesperada contra o tempo
Sem eletricidade, os aeradores pararam de funcionar e a água começou a perder oxigênio. Os responsáveis pela criação recorreram a medidas emergenciais, como aeração manual e injeção direta de oxigênio no açude, enquanto tentavam restaurar o painel elétrico queimado pela oscilação de tensão.
A instalação das conexões alternativas e a reativação dos equipamentos levaram cerca de quatro horas, segundo os criadores.
Mesmo com o esforço noturno, o prejuízo já era inevitável. Ao amanhecer, centenas de peixes já flutuavam mortos no açude.
A mortandade continuou ao longo do dia, e a retirada dos animais levou um dia inteiro, e o trabalho prosseguiu no dia seguinte.
A propriedade tinha sistema de monitoramento, sondas, aeradores e até um gerador de reserva movido a trator. Ainda assim, essa infraestrutura não foi suficiente para conter os efeitos do apagão.
Os números do prejuízo
A criação perdeu cerca de 30 toneladas de tilápias em fase adiantada de desenvolvimento, peixes que pesavam quase 1 quilo cada e estavam próximos de ir para o frigorífico.
O prejuízo direto foi estimado em R$ 250 mil, mas casos de oscilação e queda prolongada de energia em propriedades rurais paranaenses geraram perdas documentadas de até R$ 9 milhões.
A Copel informou posteriormente que não há registro de falta de energia ou oscilações de tensão na rede que alimenta a propriedade.
Contudo, uma perícia técnica mostrou que a tensão entregue ao local ficou bem abaixo dos 220 volts exigidos pela Aneel e apontou para uma possível falha na infraestrutura de distribuição.
O valor total das perdas ainda está em apuração, e a reconstrução da atividade produtiva deve exigir tempo e investimento consideráveis.
Por que a aeração é crítica em criações de peixes
Peixes confinados em tanques ou açudes com alta densidade de criação não sobrevivem muitas horas sem oxigenação artificial. Em ambientes abertos, a circulação natural da água mantém o oxigênio dissolvido.
Nos sistemas intensivos, porém, os equipamentos de aeração dependem de eletricidade contínua. Quando o fornecimento é interrompido, o oxigênio se dissipa rapidamente, e os animais entram em asfixia.
Essa vulnerabilidade faz com que produtores rurais acionem geradores de reserva e sistemas de backup, como ocorreu nesta propriedade.
Mesmo assim, a demora no restabelecimento da energia oficial e a falha da concessionária em comparecer ao local deixaram a criação sob risco por tempo demais, transformando um apagão em catástrofe produtiva.













