O excesso de chuvas coloca o cinturão citrícola de São Paulo diante de uma situação contraditória nos próximos meses.
Ao mesmo tempo em que a água disponível no solo favorece o crescimento das laranjas da safra 2026/27, a umidade elevada dificulta a entrada de máquinas e trabalhadores nos pomares e pode atrasar o processamento industrial.
A equipe de Hortifrúti do Cepea aponta que a recuperação hídrica beneficia o desenvolvimento dos frutos, mas também aumenta a necessidade de atenção aos problemas fitossanitários e às condições de colheita.
Com mais água disponível no solo, as plantas conseguem manter o desenvolvimento fisiológico dos citros.
A maior disponibilidade hídrica também favorece o ganho de tamanho e peso das laranjas nos ramos, o que pode contribuir para elevar o volume total produzido.
O cenário representa uma recuperação importante depois de períodos de estiagem, mas a umidade excessiva cria novos desafios para produtores e indústrias.
Três desafios trazidos pelo excesso de umidade
A combinação de umidade e calor favorece a proliferação de doenças fúngicas nas folhas e cascas dos citros.
O ambiente saturado favorece patógenos que comprometem a saúde da planta e reduzem a qualidade comercial da fruta colhida. Por isso, as propriedades precisam intensificar o monitoramento fitossanitário.
Excesso de água interfere na qualidade do suco
Nas indústrias de suco, a preocupação aparece em dois indicadores: ratio (relação entre sólidos solúveis e acidez) e Brix (concentração de açúcar).
Os dois tendem a cair quando a fruta absorve água em excesso. Essa diluição reduz a qualidade do suco pronto e afeta o padrão industrial exigido pelo mercado.
No campo, o solo encharcado complica a logística de colheita. Carretas não circulam com segurança, e as equipes de apanha manual perdem ritmo, as frutas chegam mais lentamente às moegas das indústrias, desacelerando o processamento e reduzindo o rendimento fabril temporariamente.
Expectativas para a safra seguinte
Apesar dos entraves imediatos, a recuperação hídrica pode favorecer a safra de 2027/28.
Pesquisadores do Cepea indicam que a primeira florada dos laranjais ganha vigor e pegamento com condições climáticas favoráveis, o que cria expectativa de uma safra mais robusta no ciclo seguinte.
Se as chuvas regulares persistirem nos próximos meses, o setor poderá antecipar o cronograma de colheita em 2027 e alterar o calendário agrícola da região.













