O Brasil conseguiu afastar o risco de desabastecimento de fertilizantes, segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, embora mais da metade da produção nacional esteja paralisada. De Paula fez a declaração após a abertura da 15ª edição do Congresso Brasileiro de Algodão, em Belo Horizonte, na terça-feira (22).
O governo federal trabalha em três frentes simultâneas para garantir o suprimento de adubo durante o plantio: acelerar o desembarque nos portos, reativar fábricas da Petrobras e concretizar acordos internacionais de fornecimento. As ações buscam compensar a paralisação da produção doméstica.
Portos ganham prioridade imediata
De Paula disse que se reuniu recentemente com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, para reduzir o tempo de desembarque de navios carregados com adubo dos principais polos produtores. O acúmulo de embarcações nos portos brasileiros tem represado cargas justamente quando a demanda por fertilizantes sobe.
A agilização dos trâmites portuários virou prioridade porque, no início da safra, qualquer atraso pode prejudicar o cronograma de plantio e comprometer os prazos necessários.
Petrobras reativa unidades de produção
A estatal já colocou em operação três fábricas de fertilizantes desde 2023. E prepara a entrada em operação de uma quarta planta — a UFN-III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A unidade tem início de funcionamento previsto para meados de 2027. Com ela, o Brasil terá coberto cerca de 35% de sua demanda interna com produção própria.
Esse avanço reduz a dependência de importações em um setor que historicamente depende do exterior para obter aproximadamente 92% dos fertilizantes que consome. A retomada dessas unidades representa um deslocamento estratégico em direção à autossuficiência parcial.
Acordo com Marrocos reforça segurança de suprimento
Durante visita ao Marrocos, De Paula assinou compromisso de fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para a safra 2026/2027. Esse volume representa cerca de 80% da necessidade brasileira desse tipo de insumo. O acordo reduz a diferença entre a produção doméstica paralisada e a demanda crescente.
Subsídio para diesel garante combustível
O governo regulamentou na segunda-feira (21) um subsídio de R$ 1,00 por litro de diesel destinado a produtores e importadores, com validade inicial de 30 dias. A regulamentação ocorreu depois de a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul relatar, na semana anterior, dificuldades de acesso e atrasos na entrega do combustível aos produtores gaúchos.
De Paula conversou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre o assunto e descartou a possibilidade de desabastecimento de combustível no Estado. O governo confirmou que trabalha para manter a oferta dentro dos prazos necessários.
Monitoramento climático e el Niño
O governo passou a considerar o fenômeno El Niño um fator que pode influenciar o volume e a distribuição das chuvas durante a safra. Segundo a NOAA, agência americana que acompanha padrões oceânicos e atmosféricos, há 90% de possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão.
O governo mobilizou 24 ministérios em uma força-tarefa liderada pelo Ministério da Casa Civil para enfrentar os efeitos climáticos. Foram previstos R$ 1,3 bilhão em recursos para ações de agricultura, saúde e defesa civil.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi autorizado a contratar 129 novos servidores por concurso público. E ampliou e modernizou a rede de monitoramento, que passou de 500 para mais de 700 estações meteorológicas, e a rede migrou do sistema analógico para o digital.













