Vinte fazendas de café no Espírito Santo passaram a usar um sistema de inteligência artificial para decidir quando irrigar. Nessas propriedades, o consumo de água por quilo de café produzido caiu até 36%, enquanto o gasto com energia elétrica recuou cerca de 15%. As bombas de irrigação passaram a funcionar apenas pelo tempo necessário.
A tecnologia foi testada em um projeto piloto financiado pelo Nescafé Plan, programa global de sustentabilidade da Nestlé, em parceria com a Smart Irriga. As propriedades escolhidas já usavam irrigação por gotejamento, e a inteligência artificial acrescentou precisão a esse manejo.
Como o sistema decide quando irrigar
Estações meteorológicas instaladas diretamente nos talhões de café coletam diariamente dados de temperatura do ar, chuva, umidade relativa e evapotranspiração. Uma plataforma de inteligência artificial cruza essas informações e calcula, todos os dias, se as plantas realmente precisam de água naquele momento.
Quando o cálculo aponta necessidade, o próprio sistema aciona a irrigação — e desliga assim que a quantidade certa é aplicada, sem depender de estimativa humana. É esse ajuste fino que reduz o desperdício de água e o tempo de bomba ligada, o que explica a queda no consumo de energia.

Efeitos no solo e na safra
A irrigação de precisão também interfere na fisiologia do cafeeiro. A aplicação de água na medida certa favorece uma maturação mais uniforme dos grãos e melhora a florada, dois fatores que pesam diretamente na qualidade da colheita seguinte.
Há ainda um ganho para o solo: irrigar apenas o necessário reduz a lixiviação de nutrientes. Ou seja, evita que fertilizantes e minerais sejam arrastados para camadas mais profundas da terra pelo excesso de água. Isso preserva a fertilidade e cria condições mais favoráveis para elevar a produtividade nas próximas safras.
Investimento e alcance do programa
O projeto piloto recebeu um aporte de aproximadamente R$ 400 mil. E faz parte de um investimento global de 1 bilhão de francos suíços que a Nestlé destina ao Nescafé Plan até 2030. O programa reúne hoje 3.800 propriedades, todas inseridas na chamada agricultura regenerativa da companhia.
Segundo a Nestlé, 97% dessas fazendas já adotam técnicas de eficiência hídrica, como a irrigação por gotejamento usada como base do projeto capixaba. A meta agora é expandir o uso da inteligência artificial para blindar a produção de café contra os efeitos das mudanças climáticas.
As fazendas do programa recebem assistência técnica contínua de agrônomos e apresentam, em média, 60% mais produtividade do que propriedades convencionais. Globalmente, a Nestlé passou a adquirir 53% de seu café verde de fazendas com práticas de agricultura regenerativa em 2025. A aposta agora é expandir a inteligência artificial para blindar a produção contra efeitos das mudanças climáticas.













