Liz Heggaton perdeu o marido e o filho em dois anos, mas diz que ainda tem motivos para levantar da cama todos os dias. A produtora rural de Kojonup, na Austrália Ocidental, usa sua propriedade para falar sobre câncer de próstata e saúde mental masculina.
Craig, marido de Liz, morreu por suicídio em 2024, enquanto tratava a doença. Neste ano, o filho James morreu em um acidente de carro na região de Great Southern, também na Austrália Ocidental.
Um carneiro para abrir a conversa
Na semana passada, durante o leilão anual de genética ovina de sua propriedade, a Breeders Best Genetics. A produtora doou um exemplar da raça Kojak — conhecida por trocar de lã sozinha — para arrecadar fundos em memória do marido e do filho.
Diante da plateia de compradores, ela fez uma homenagem aos dois e pediu que as pessoas conversem abertamente sobre o que sentem durante qualquer tratamento de saúde. O animal foi arrematado por US$ 5.000, valor revertido para a causa.

Romper o silêncio no meio rural
Desde a morte do marido, em 2024, a fazendeira compartilha a história dele com o maior número possível de pessoas. Na esperança de educar outras famílias sobre os riscos do câncer de próstata. Segundo ela, reunir homens, parceiras e filhos sob o mesmo teto do galpão de leilão é uma chance rara de abrir esse diálogo.
No momento da morte, o marido estava em terapia de privação androgênica, tratamento hormonal usado em casos avançados da doença porque bloqueia a testosterona que alimenta o tumor.
Ela acredita que esse tratamento teve relação com a piora do quadro emocional dele, embora reconheça que a relação entre a terapia e quadros de depressão e suicídio ainda não esteja comprovada.
A reação de quem ouviu o apelo
Richard Avery, participante do leilão, considerou a mensagem importante nas comunidades rurais, onde o cuidado com a própria saúde costuma ficar em segundo plano. Segundo ele, produtores cuidam dos rebanhos e da família, mas deixam o próprio corpo para depois. Por isso, divulgar o tema em um evento do setor faz diferença.
Apesar de tudo o que viveu, a viúva mantém um discurso otimista sobre o futuro da pecuária ovina no estado. E avalia que o setor atravessa um momento favorável, mesmo depois de anos difíceis para a atividade.
A venda do carneiro, segundo ela, resume esse equilíbrio entre seguir trabalhando a terra e manter viva a lembrança do marido e do filho.













