Uma família australiana natural de Riverland, a cerca de 270 quilômetros de Adelaide, passou por um pesadelo ao enfrentar quatro anos de seca, e agora se prepara para encarar uma reviravolta nesse cenário. No mesmo pedaço de terra em que havia apenas montes de areia vermelha no ano passado agora há plantas de trigo tão altas que a filha de 3 anos do casal desaparece em meio à plantação.
A virada começou com um volume de chuva acima da média: a propriedade recebeu 330 milímetros neste ano, contra uma média histórica de 250 milímetros. Kiara Fisher contou à ABC News que o marido já precisou roçar a lavoura várias vezes neste ano porque a vegetação cresceu rápido demais.
Segundo ela, no mesmo período do ano passado, as plantações mal chegavam ao tornozelo. Agora, sua filha Aurora praticamente desaparece entre elas, e a família espera colher trigo e cevada para recomeçar, depois de atravessar quatro anos seguidos de seca.
Trabalho fora da fazenda ajudou a Família
Kiara Fisher relatou à ABC News que o trabalho fora da propriedade e o auxílio do governo federal australiano às famílias foram essenciais para a família atravessar os anos mais difíceis. Para ela, a colheita deste ano representa a chance de recomeçar, depois de um período em que a lavoura praticamente não gerou retorno.
A sensação de ter plantado por um motivo real, depois de tanto tempo sem isso, é o que mais pesa para a Família neste momento.
Colheita recorde é esperada para o estado
As primeiras colheitadeiras já começaram a trabalhar nos campos do oeste da Austrália do Sul, embora a maior parte dos produtores ainda esteja se preparando para a safra. O executivo-chefe da Grain Producers South Australia, Brad Perry, afirmou que a temporada 2026/27 deve quebrar recordes de produção.
Brad Perry informou ao ABC News que a média histórica de colheita de grãos em South Australia fica em torno de 9 milhões de toneladas por safra. A expectativa agora é superar esse número e chegar a cerca de 13 milhões de toneladas.
Quando a boa colheita não resolve todos os problemas
Mesmo com a safra recorde esperada, a família Fisher e outros produtores ainda enfrentam desafios que podem comprometer o resultado financeiro. Kiara Fisher explicou que a família terá de vender a maior parte do grão colhido apenas para pagar as contas dos últimos três anos de seca.
A colheita, portanto, não representa lucro imediato, mas uma forma de quitar dívidas acumuladas. Além disso, os preços baixos do grão e o aumento no custo dos insumos, especialmente do diesel, continuam pressionando os orçamentos das fazendas.
Outro risco é a presença de gafanhotos nas regiões de Riverland e Mallee antes da colheita. Se os insetos atacarem em massa, poderão destruir parte significativa das plantações e transformar a safra recorde em prejuízo.
Mesmo com chuva abundante e lavouras em crescimento, fatores externos ainda podem impedir que os produtores saiam do vermelho.
Por que a chuva acima da média muda tudo para o agricultor
A água é o fator determinante para o crescimento das plantas — sem ela, as sementes não germinam e a lavoura não produz. Na propriedade da Família Fisher, o solo árido dos últimos anos produzia plantas tão pequenas que mal chegavam ao tornozelo de uma pessoa.
Quando a chuva aumentou de 250 milímetros (média histórica) para 330 milímetros em um único ano, o solo absorveu água suficiente para as plantas crescerem rapidamente. Esse aumento na umidade do solo permite que as raízes se desenvolvam, que os nutrientes sejam absorvidos pelas plantas e que a biomassa cresça, transformando um campo árido em uma lavoura produtiva.
O efeito vai além das plantas: a água recupera também as pastagens naturais. Carneiros e gado que precisavam ser alimentados manualmente durante a seca conseguem pastar e ganhar peso naturalmente quando a vegetação recuperada oferece alimento abundante.
Assim, uma única mudança — mais chuva — dispara uma série de consequências positivas: plantas maiores, mais grãos por hectare, animais mais saudáveis e por consequência a possibilidade de lucro para o produtor.













