Um problema pequeno no tamanho, mas grande no impacto sobre a pecuária, aparece no topo das preocupações sanitárias dos produtores brasileiros. O carrapato bovino é apontado como a principal ameaça por 70% dos pecuaristas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha em mais de 450 propriedades de diferentes regiões e biomas do país em setembro.
O parasita não é uma preocupação recente. A presença do carrapato se mantém entre os principais desafios sanitários da pecuária brasileira há anos, já que as condições climáticas do país favorecem a permanência do problema. Em grande parte do território, o ciclo dos parasitas pode ocorrer praticamente durante todo o ano.
Cruzamento de raças aumenta preocupação nas fazendas
A expansão do cruzamento industrial é um dos fatores que exige atenção redobrada dos pecuaristas. A introdução de genética europeia no rebanho brasileiro pode aumentar a vulnerabilidade dos animais ao carrapato.
A preocupação também aparece em propriedades que trabalham com Nelore. O avanço das reclamações sobre infestações mostra que o problema não está restrito a um único sistema de criação.
Além do carrapato, a pesquisa avaliou a presença de outros parasitas que afetam os bovinos, como moscas, bernes, bicheiras e vermes internos.
Verme pode causar prejuízo mesmo sem aparecer
Enquanto carrapatos e moscas podem ser identificados visualmente com maior facilidade, a verminose apresenta um desafio diferente. Os vermes internos podem comprometer o desempenho dos animais sem provocar sinais evidentes para o produtor. O resultado aparece principalmente no desenvolvimento e no ganho de peso do gado.
A pesquisa mostrou que muitos pecuaristas não conseguem calcular quanto os parasitas estão custando em desempenho. Entre os produtores que responderam à pergunta, a perda média estimada chegou a 13 quilos por animal. Quatro em cada 10 entrevistados, porém, não souberam informar o impacto, em parte pela ausência de balança nas propriedades.
Antiparasitários são considerados eficientes pela maioria
Mesmo com o carrapato no topo das preocupações, a avaliação dos medicamentos utilizados no campo é positiva para a maioria dos produtores. 93% dos pecuaristas entrevistados consideram os antiparasitários eficientes. Dentro desse grupo, 40% afirmam que os produtos apresentam efeito duradouro, enquanto 53% dizem que os medicamentos funcionam, mas por um período menor.
O conhecimento sobre esses produtos, entretanto, varia bastante. Apenas 28% dos produtores afirmaram conhecer muito os medicamentos utilizados. Outros 54% disseram ter conhecimento intermediário, enquanto 17% admitiram saber pouco sobre os produtos.
Manejo errado pode favorecer resistência
Controlar o carrapato não depende apenas da aplicação de medicamentos. A escolha do produto e a forma como ele é utilizado também podem determinar a eficiência do tratamento.
Uma das recomendações apontadas para o manejo é alternar princípios ativos, evitando que os parasitas sejam expostos repetidamente à mesma molécula. A dosagem também exige atenção. Tanto a aplicação de uma quantidade abaixo da recomendada quanto o uso excessivo podem contribuir para problemas relacionados à resistência dos parasitas.
Problema antigo continua desafiando a pecuária
O carrapato já aparecia como o parasita mais citado pelos pecuaristas em levantamentos científicos realizados em 2006 e 2009. Duas décadas depois, continua ocupando o primeiro lugar entre as preocupações sanitárias do setor. A diferença é que a pecuária brasileira passa por mudanças no perfil genético dos animais, enquanto o clima tropical mantém condições favoráveis para a presença dos parasitas.
Para o produtor, o desafio vai além de eliminar o carrapato visível no animal. O controle precisa fazer parte do planejamento sanitário da fazenda e considerar o tipo de rebanho, as condições da propriedade e o risco de resistência aos medicamentos.













