A história de Leonir Babinski, de Xavantina, no oeste de Santa Catarina, começou com poucos recursos, acordos feitos na confiança e muito trabalho na propriedade. O que antes era uma pequena criação de suínos, iniciada em um chiqueiro de apenas 70 metros quadrados, cresceu ao longo dos anos e se tornou uma atividade que passou a exigir investimentos, planejamento e tecnologia.
Antes de ampliar a produção, Leonir precisou superar dificuldades para conquistar a própria terra e sustentar a família. Filho de agricultor, ele começou a trabalhar ainda criança, ajudando nas lavouras e no trato dos animais. Depois da morte do pai, assumiu novas responsabilidades e encontrou no cultivo de milho uma maneira de pagar pela propriedade e construir seu futuro no campo.
Trocas de milho ajudaram produtor a conquistar a própria terra
Na época, o dinheiro era curto e muitas negociações aconteciam diretamente entre vizinhos. Para quitar a propriedade, Leonir entregava parte do milho que produzia a um suinocultor da região, que repassava o pagamento ao antigo dono da terra.
Os acordos eram simples, registrados em pequenos papéis escritos à mão. Não havia contratos formais: a palavra dada era suficiente para manter o compromisso. Foi assim que o agricultor avançou até conseguir a escritura da propriedade, em 1990, depois de anos de trabalho.
Um ano depois, Leonir decidiu investir novamente em uma atividade que conhecia desde a infância: a criação de porcos. Sem dinheiro para construir uma estrutura grande, levantou um chiqueiro de 10 metros por 7 metros e começou a organizar a produção aos poucos.
Primeiros animais chegaram por meio de acordos entre vizinhos
O início da criação foi marcado por negociações que mostram como a atividade se desenvolveu a partir das relações de confiança na comunidade. Em uma das ocasiões, Leonir recebeu uma leitoa como pagamento pelo trabalho de engorda de animais para outro produtor.
Em outro acordo, um vizinho que enfrentava problemas com o abastecimento de água ofereceu um macho e uma fêmea em troca do acesso à água disponível na propriedade de Leonir. Com esses animais e novas compras, o agricultor começou a formar seu plantel, que chegou inicialmente a oito matrizes.
O milho, que antes era usado principalmente para pagar a terra, também passou a ter outra função: alimentar os suínos. A combinação entre a produção agrícola e a criação animal ajudou a família a ampliar o negócio gradualmente.
Falta de tecnologia tornava a rotina mais difícil
O crescimento não aconteceu sem obstáculos. Além das oscilações nos preços dos suínos, as condições das instalações exigiam atenção constante. Durante os invernos rigorosos de Santa Catarina, Leonir precisava acompanhar os animais até de madrugada, verificando as condições do ambiente e fazendo ajustes para protegê-los do frio.
Naquela época, os recursos de climatização disponíveis hoje ainda não faziam parte da rotina da granja. O manejo dependia muito da presença do produtor e da observação diária dos animais.
Com o avanço da suinocultura, melhorias nas instalações e a chegada de equipamentos ajudaram a tornar o trabalho mais eficiente. A entrada no sistema de integração, em parceria com uma agroindústria, também foi decisiva para dar condições à família de continuar investindo.
Para Leonir, o modelo integrado oferece mais segurança a quem não dispõe de capital elevado para conduzir a produção de forma independente. A parceria permite que o produtor mantenha a criação dentro de um sistema organizado, com acompanhamento e procedimentos definidos.
Granja cresceu e chegou a 180 matrizes
Depois de décadas de expansão gradual, a propriedade alcançou um novo patamar. Com um plantel de 180 matrizes, Leonir precisou avaliar como ampliar a estrutura para manter a atividade e aumentar a capacidade produtiva.
O plano previa praticamente dobrar o número de fêmeas, o que exigia investimento significativo. O acesso ao crédito e o apoio da empresa integradora ajudaram a viabilizar a construção de uma nova granja e deram à família a possibilidade de avançar para uma produção maior.
A escolha pela suinocultura também está relacionada às características da região. Em Xavantina, onde o relevo acidentado e a presença de áreas pedregosas limitam o espaço para grandes lavouras, a criação de animais representa uma alternativa importante para a renda das propriedades rurais.













