A produção brasileira de arroz deve voltar a cair na safra 2026/27, após registrar retração de 13,2% no ciclo anterior. O primeiro levantamento da nova safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 15 de outubro, prevê uma colheita de 10,7 milhões de toneladas, redução de 2,9%.
A perspectiva levanta dúvidas sobre o impacto no preço do alimento nos supermercados. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), existe a possibilidade de reajustes, mas a avaliação é de que o abastecimento deve continuar normal, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes.
Por que a produção de arroz deve cair novamente
De acordo com a Conab, a área plantada deve permanecer praticamente estável, em 1,5 milhão de hectares. A produtividade, por outro lado, tem previsão de queda de 3,7%, chegando a cerca de 7 mil quilos por hectare.
A companhia considera fatores como incertezas climáticas, custos de produção e preços de mercado, que influenciam as decisões dos agricultores. Essas condições ajudam a explicar a redução projetada para a colheita brasileira.
Arroz pode ficar mais caro para o consumidor?
A possibilidade existe, segundo a Abiarroz. Na safra 2024/25, o Brasil produziu cerca de 13 milhões de toneladas, volume superior ao consumo habitual. A oferta elevada pressionou para baixo os preços pagos aos agricultores e desestimulou novos plantios.
Agora, a redução prevista na produção e o aumento dos custos podem provocar ajustes nos preços ao longo dos próximos meses. Enílson Nogueira, analista da Céleres Consultoria, não prevê pressão inflacionária significativa nem risco de desabastecimento, desde que as lavouras não enfrentem problemas climáticos.
Importações e estoques ajudam a manter o abastecimento
A Conab calcula que o consumo interno de arroz será de 10,8 milhões de toneladas na safra 2026/27. Como o Brasil também importa o cereal, com volumes em torno de 1,3 milhão de toneladas, a expectativa é de que a oferta seja suficiente para atender ao mercado nacional.
Segundo Andressa Silva, diretora executiva da Abiarroz, os estoques disponíveis também contribuem para o abastecimento e permitem manter parte da produção destinada às exportações. Diante da queda projetada na colheita, um ajuste nas vendas externas pode ajudar a preservar a oferta interna.
Clima e custos serão decisivos para os próximos meses
O preço recebido pelos agricultores e os custos para produzir devem influenciar as decisões sobre as próximas safras. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a saca de arroz de 50 quilos estava cotada a R$ 81, ante R$ 57 no mesmo período do ano anterior.
A possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño também exige atenção, pois as condições climáticas podem afetar a produção. Ainda é cedo para afirmar que a queda continuará nos próximos anos, já que a rentabilidade da cultura e o comportamento do clima serão determinantes.
Para o consumidor, a perspectiva é de possível ajuste nos preços, mas não de falta de arroz nas prateleiras. A evolução dos valores dependerá das condições das lavouras, dos custos de produção, dos estoques e do equilíbrio entre a oferta e o consumo.













