Já imaginou ceder um terreno de 36 hectares por apenas US$ 10, equivalente a R$ 50,65 atualmente? Isso aconteceu há 26 anos nos Estados Unidos. A área no condado de Williamson, no estado do Texas, foi cedida por esse valor para se tornar um parque público, mas atualmente se tornou alvo de uma disputa judicial.
O terreno acabou negociado por US$ 10 milhões em 2025. O comprador foi a Blueprint, empresa ligada ao desenvolvimento de centros de dados, projeto que despertou a preocupação de moradores próximos.
Família queria preservar área para a comunidade
A história começou em 1999, quando a família Bland decidiu ceder as terras por um valor simbólico. A intenção era que os 36 hectares fossem destinados à criação de um espaço público para lazer e convivência da população.
O imóvel passou posteriormente por diferentes transferências até chegar à esfera da cidade de Taylor, localizada a nordeste de Austin. Com a expansão dos projetos tecnológicos na região, a área ganhou novo valor comercial e acabou sendo negociada em 2025.
A valorização impressiona pela diferença entre os valores envolvidos: o terreno que havia sido transferido por US$ 10 passou a representar uma negociação de US$ 10 milhões.
Projeto de centro de dados provoca reação dos moradores
A mudança de finalidade da propriedade não foi bem recebida por parte da comunidade local. Uma das preocupações está relacionada à proximidade do empreendimento com residências de famílias que vivem na região há gerações.
Pamela Griffin, descendente de uma dessas famílias, tornou-se uma das principais vozes contrárias ao projeto. Ela afirma que o agricultor responsável pela cessão das terras havia manifestado o desejo de que o local fosse utilizado como parque, e não para a construção de uma área industrial.
Com a possibilidade de instalação do centro de dados, o espaço que durante anos serviu para encontros e atividades ao ar livre pode passar por uma transformação completa.
Documento de 1999 está no centro da discussão
A principal questão do caso envolve a escritura original. O documento indicava que as terras deveriam permanecer em um tipo de fideicomisso para serem utilizadas futuramente como parque.
O problema surgiu nas transferências posteriores. De acordo com a cidade, a restrição relacionada ao uso público não apareceu nos documentos seguintes, argumento utilizado pelas autoridades para considerar válida a venda realizada à Blueprint.
Moradores e descendentes dos antigos proprietários defendem interpretação diferente. Para eles, a finalidade estabelecida no momento da transferência deveria continuar sendo respeitada, independentemente das alterações registradas posteriormente.
Disputa pelo terreno chegou à Justiça
A divergência acabou nos tribunais. De um lado, a administração municipal sustenta que a negociação respeitou a documentação vigente. Do outro, os opositores contestam a forma como a escritura original foi interpretada e defendem que a área continue destinada ao uso comunitário.













