Após dez anos de dedicação, Gunnar Nielsen formou um pomar com mais de 500 árvores de quandong em cinco acres de terra nos arredores de Alice Springs, na Austrália Central.
Ele começou a cultivar a fruta vermelha e brilhante, nativa da região e conhecida como “pêssego nativo”, como hobby, mas decidiu ampliar o plantio, apesar da dúvida de amigos e vizinhos.
Nielsen plantou algumas mudas para conhecer melhor a planta — e não parou. Cada árvore pode produzir até 15 quilogramas de frutos, algo raro para uma espécie tão difícil de cultivar.
Da colheita caseira à escala comercial
Por enquanto, Nielsen distribui toda a produção gratuitamente durante a colheita, em setembro. Em uma safra, cerca de 80 quilogramas foram enviados a Yulara e transformados em um prato especial de um restaurante local. Nielsen espera vender os frutos em breve e criar produtos derivados, mas reconhece que ainda precisa aprender e adaptar etapas do processo.
Além de produzir, Nielsen precisa colher, e ele modificou uma máquina de corte de damascos que comprou de fazendeiros do sul da Austrália, porque os quandongs são menores que os damascos. Segundo Nielsen, muitas fazendas da região abandonaram o cultivo de damascos porque a fruta importada custa metade do preço, e muitos fazendeiros estão descartando suas máquinas.
Ainda assim, ele reconhece as dificuldades desses agricultores, e a adaptação do equipamento continua.

Um pomar fora do padrão
Quem visita o pomar não encontra um cultivo tradicional, e não há fileiras retas nem organização linear visível. As árvores ficam em duplas espalhadas pela propriedade, sem o padrão retilíneo típico de uma fazenda.
A disposição tem uma explicação biológica: o quandong é uma planta parasitária que depende do sistema radicular de outras plantas ou árvores para absorver nutrientes.
Cada quandong precisa de uma árvore hospedeira ao lado, e nielsen descobriu que qualquer outra árvore pode cumprir esse papel. Em setembro, quando os frutos amadurecem, o pomar fica colorido.













