Formada em Direito, Ana Amélia Avelar Ferreira Paulino trocou a rotina de advogada em São Paulo pela administração direta de uma fazenda em Goiás. A decisão a aproximou da tradição rural da família, que sempre teve ligação com a atividade. O retorno ao campo acabou se tornando um novo projeto de vida.
Gestão da fazenda e liderança no Sindicato
Hoje, ela administra a Fazenda Barra das Onças, com um rebanho de cerca de 3 mil cabeças de gado Nelore e criação de cavalos. A rotina exige conhecimento técnico sobre manejo de pasto, reprodução e sanidade animal, além da capacidade de administrar a operação.
Uma lista que valoriza diferentes frentes do agro
A lista da Forbes foi divulgada em 15 de outubro e reúne produtoras rurais, pesquisadoras, empresárias e lideranças institucionais de várias regiões do país. A seleção é a segunda edição do levantamento, retomado depois de cinco anos de pausa desde a estreia em 2021.
A seleção considera mulheres que ocupam cargos de decisão, tocam negócios próprios ou desenvolvem pesquisa com impacto no setor. A trajetória de Ana Amélia, que une formação jurídica à gestão rural e à representação sindical, ilustra o perfil de liderança destacado pela publicação.
A presença de uma pecuarista goiana na lista reforça o espaço conquistado por mulheres em posições de comando no agronegócio brasileiro. Tanto na operação de propriedades quanto em entidades de classe historicamente dirigidas por homens.
Como uma mulher assume liderança em entidade historicamente masculina
Antes de assumir a presidência, em 2024, ela foi a primeira mulher a ocupar um cargo na diretoria.
Esse percurso, de posições iniciais ao comando de uma estrutura dominada por homens, permite que a liderança ganhe legitimidade e experiência antes de alcançar os postos de decisão. A experiência na diretoria criou familiaridade com os processos, as pessoas e os desafios da organização, facilitando a transição para a presidência.
Mulheres ocupam postos de liderança em diferentes ramos do agronegócio além da produção
A lista da Forbes reconhece que o poder feminino no agronegócio não se concentra apenas em quem trabalha na fazenda. Tânia Zanella, por exemplo, é presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), entidade que gerencia um sistema que movimenta centenas de bilhões de reais por ano. Dos quais uma parcela significativa vem do setor agrícola.
Ana Paula Zapelini trabalha com inovação e pesquisa e desenvolve protocolos científicos para monitorar a segurança alimentar. Giulia Fabrin Scussel, aos 29 anos, lidera a federação de apicultores.
Essa diversidade de frentes — cooperativismo, pesquisa e associações setoriais — mostra que as mulheres transformam o agronegócio não apenas como produtoras, mas também como gestoras de sistemas complexos, cientistas e representantes de categorias inteiras de produtores.














