Um sumiço de 2,3 mil bois em Santiago, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, está movimento a polícia gaúcha. O caso passou a ser investigado após um pecuarista de 91 anos perceber que o número de animais registrados oficialmente não correspondia ao que estava no pasto.
O prejuízo causado pelo sumiço dos bovinos pode passar de R$ 11 milhões. Entre os suspeitos está o ex-gerente da fazenda, apontado como responsável por autorizar movimentações de gado fora das regras e por adulterar registros de nascimento de terneiros no sistema oficial.
Como funcionava o esquema suspeito
As apurações apontam que parte dos animais teria sido repassada sem pagamento. Nessa movimentação irregular, o gado sai do plantel sem deixar registro financeiro compatível com a transação.
Outro ponto investigado é o lançamento de nascimentos de terneiros que não teriam ocorrido. Esse tipo de fraude costuma inflar artificialmente o plantel nos registros, mascarar o desvio real de animais e dificultar sua identificação pelos órgãos de controle.
Mandados cumpridos e animais apreendidos
A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e a Secretaria da Agricultura comandaram a ação batizada de Apropriar. Ao todo, 5 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diferentes endereços ligados ao caso.
A ação resultou na apreensão de 500 animais e de uma caminhonete, além do sequestro de um imóvel rural vinculado às investigações. Os bens continuam sob análise enquanto a apuração avança sobre o destino do restante do plantel.
O que ainda falta esclarecer
A polícia investiga as hipóteses de falsidade ideológica e apropriação indébita. A dúvida central é se os bovinos foram realmente vendidos a terceiros ou se houve apenas o empréstimo da guia de trânsito animal para simular regularidade.
Por que isso prejudica toda a cadeia de produção
Quando um pecuarista não sabe quantas cabeças realmente tem, perde o controle sobre sua própria produção. No caso de Santiago, o proprietário de 91 anos só descobriu o problema quando comparou seus números oficiais com o que via fisicamente no pasto.
Além disso, fraudes em registros alimentam um mercado de gado de origem duvidosa. Se animais roubados entram na cadeia com documentos falsos, o comprador que pensa estar comprando gado legítimo pode se ver envolvido em uma transação criminosa sem saber.













