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Desenho na casca funciona como impressão digital da lagosta e permite reconhecer o animal até depois de cozido

Por Henrique Cesaretti
25/10/2026
Desenho casca funciona impressão digital

Foto: J.D. Books/Pexels

Pesquisadores da Universidade da Tasmânia desenvolveram uma tecnologia de inteligência artificial que identifica lagostas pelo padrão único de suas conchas, como uma impressão digital. A inovação permite rastrear cada animal desde a captura até o prato final, aumentando a confiança do consumidor e abrindo novos mercados para a indústria.

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A tecnologia funciona de forma simples: basta fotografar a lagosta com um smartphone. Se o animal já foi registrado antes, o sistema a reconhece e acessa seu histórico; se for novo. Entra no banco de dados junto com milhares de outras lagostas catalogadas da Austrália e Nova Zelândia.

A análise dos padrões das conchas confirmou que cada uma tem um desenho único, sem exceções.

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Como funciona o reconhecimento de padrões

A equipe de pesquisadores do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos (IMAS) testou o sistema em diferentes cenários e constatou que ele identifica uma lagosta até três anos após o primeiro registro. Mesmo quando ela está coberta por cracas e algas ou tem um novo exoesqueleto, e a IA também reconhece o animal depois de cozido.

Segundo Quinn Fitzgibbon, professor associado do IMAS, o sistema funciona como uma tecnologia de reconhecimento facial. Ele usa aprendizado de máquina para mapear as características da concha e identificar elementos individuais que não se repetem em outro animal.

A tecnologia permite rastrear uma lagosta pela primeira vez desde o ponto de captura até um mercado ou restaurante em Sydney ou na China, o que pode ampliar o controle da indústria sobre a origem do produto.

Imagem: ABC News/Bec Pridham

Impacto para exportadores e consumidores

A Tasmânia captura pouco mais de 1 mil toneladas de lagosta-rochosa-do-sul anualmente, gerando aproximadamente 90 milhões de dólares. Porém, a indústria passou por anos difíceis devido a restrições comerciais e a um mercado doméstico inundado de lagostas baratas.

Uma unidade de processamento em Bicheno processa até 300 mil lagostas por ano. Para a indústria, a lagosta-rochosa-do-sul é a mais cara do mundo quando consumida como sashimi e não tem comparação com outro produto similar.

O desafio que a indústria enfrenta há anos é provar a origem do animal após deixar o estado. Cientistas marcam fisicamente as lagostas durante levantamentos populacionais, mas esse método não é viável para a comercialização, pois as tags podem ser removidas ou falsificadas.

A inteligência artificial resolve esse problema sem marcação física: o padrão da concha é impossível de forjar e permanece identificável mesmo após o cozimento, o que permite comprovar a origem do animal ao consumidor.

Futuro do rastreamento na indústria

Os pesquisadores querem permitir que os consumidores fotografem a refeição e descubram exatamente de onde veio a lagosta. Também pretendem ampliar o uso da tecnologia no processamento, na pesca comercial e recreativa e entre cientistas cidadãos, que poderão contribuir para o banco de dados.

A expansão pode mudar o rastreamento na indústria de frutos do mar, aumentar a confiança na origem do produto e facilitar a entrada em novos mercados.

Por que a indústria tasmaniana precisa dessa solução

A Tasmânia pesca pouco mais de 1 mil toneladas de lagosta-rochosa-do-sul por ano e movimenta 90 milhões de dólares, o que ajuda a explicar o interesse em inovação. Nos últimos anos, porém, a indústria enfrentou restrições comerciais internacionais e a concorrência de lagostas mais baratas importadas.

Antes de cada viagem ao mar, pescadores podem precisar investir até 50 mil dólares e, por isso, dependem de preços altos para cobrir os custos crescentes de combustível e iscas.

O problema é que, depois que a lagosta deixa a Tasmânia, não há como provar sua origem ao chegar ao consumidor. Uma unidade de processamento pode lidar com até 300 mil lagostas por ano, mas os animais se tornam indistinguíveis quando são misturados a lagostas de outros países durante o transporte e o processamento.

A inteligência artificial resolve esse gargalo ao rastrear cada animal individualmente, o que pode aumentar a confiança e sustentar preços mais altos nos mercados internacionais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Iniciei a minha trajetória no jornalismo muito por conta da minha paixão por esportes, atuei por muito tempo como redator/jornalista esportivo mas também tive experiência com assuntos diversos.

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