Uma cítrica rara que parece uma mão cheia de dedos virou uma fonte incomum de renda para produtores na Austrália. A mão-de-buda tem perfume forte e atrai cozinheiros que buscam ingredientes diferentes.
Mike Arnold cultiva cerca de 250 árvores da espécie em sua propriedade familiar, em Waikerie, na Austrália do Sul. Para Arnold, o cultivo se tornou um complemento rentável para o negócio da família.
Um item que pode valer caro
Dependendo da época, o quilo pode chegar a 25 dólares (R$ 126), valor considerado alto para um item que não tem polpa, suco nem sementes. A casca espessa e o miolo esponjoso são as únicas partes aproveitáveis.
Arnold vende boa parte da colheita para Melbourne e também exporta para Singapura, especialmente no período do Ano-Novo Chinês. Em entrevista ao ABC News, ele explicou que parte do público asiático transforma a casca em doce cristalizado, aproveitando o miolo esponjoso como base da receita.
Da cozinha asiática ao molho de macarrão
No dia a dia australiano, o uso mais comum é simples: um pedaço vai direto à panela de molho à bolonhesa para perfumar o preparo. Na tradição chinesa, porém, a casca vira doce.
Em Melbourne, no mercado de Prahran, a comerciante Emma Guo, dona da banca Reliable Fruit, também notou o crescimento do interesse por esse tipo de cítrico. Segundo ela, chefs e restaurantes usam o produto em drinques e também em pratos à base de peixe.
Décadas de cultivo em Chillingham
Há mais de 30 anos o agricultor Gerard Buchanan planta a espécie em sua propriedade mista em Chillingham, Nova Gales do Sul, e abastece mercados e restaurantes de diferentes estados. Muitos estabelecimentos aproveitam o formato alongado para decorar pratos com velas, ou recheiam o centro quando os “dedos” se abrem bem.
Buchanan conta que a casca entra em saladas, com seu toque que lembra limão, e que os pedaços cortados combinam bem com alho, gengibre e frango em preparações na frigideira. A origem do cítrico remonta à Índia, de onde monges budistas teriam levado a planta até a China.
Símbolo de sorte em rituais antigos
De acordo com Buchanan, a tradição liga o cítrico a cerimônias religiosas, e várias culturas associam o formato à sorte e à felicidade. Algumas pessoas, inclusive, colocam o item na entrada de casa, na crença de que isso atrai prosperidade para a família.
Buchanan também aproveita o óleo extraído da fruta para fabricar xampus, condicionadores e cremes faciais. Segundo ele, a fruta tem alto teor de vitamina C.
Mercado deve continuar pequeno
Mesmo com a popularidade crescendo entre chefs, produtores australianos não esperam que o setor cresça muito além do nicho atual. Isso porque a colheita é trabalhosa e exige um processo longo de empacotamento para venda. Junto a isso, a procura se concentra em datas comemorativas e eventos especiais, sem demanda constante ao longo do ano.













