Uma raça indonésia de galinhas chama atenção por ter suas penas, músculos e até mesmo órgãos e ossos pretos. A Ayam Cemani, raça indonésia de galinha, conquistou apelidos como “a galinha mais hipnotizante do mundo” e “a Lamborghini das aves” por sua pigmentação extraordinária.
Cada detalhe visível emerge em preto absoluto, um espetáculo visual que poucos animais na natureza conseguem igualar. O que torna essa raça verdadeiramente singular vai muito além da plumagem.
Músculos, órgãos e ossos também adquirem tonalidade negra, transformando até a carne em algo que parece ter sido mergulhado em tinta de lula. Apenas sangue e ovos escapam dessa coloração extrema, mantendo as cores típicas de qualquer outra galinha.
A genética por trás da pigmentação única
Embora muitas espécies de pássaros exibam plumagem escura na natureza, a maioria possui língua rosa, olhos castanhos e órgãos internos convencionais.
Apenas três outras raças compartilham com a Cemani essa hiperpigmentação interna tão rara: a sueca Bohuslän-Dals svarthöna, a vietnamita Black H’Mong e a Silkie, uma galinha de cinco dedos coberta por penugem macia que lembra pelo.
Geneticistas chamam essa condição de fibromelanose, ou hiperpigmentação dérmica. Um estudo de 2011 conduzido pela Uppsala University revelou que a mutação responsável é idêntica nas quatro raças afetadas, indicando origem genética única e compartilhada. A descoberta sugere que humanos identificaram esses pássaros negros, mantiveram os exemplares mais notáveis e espalharam a característica ao longo de gerações.
Como a mutação genética funciona no corpo
A alteração ocorre no gene chamado endotelina 3, ou EDN3, que existe em praticamente todos os vertebrados e controla a cor da pele. Em desenvolvimento normal, um grupo específico de células usa EDN3 para orientar a migração dos melanoblastos — células produtoras de pigmento — para pontos definidos do corpo em formação.
Nas raças hiperpigmentadas, porém, quase todas as células do animal expressam EDN3 simultaneamente. O resultado é uma “migração errada” onde os melanoblastos recebem sinais de muitos lugares ao mesmo tempo e se espalham indiscriminadamente, chegando até aos ossos e órgãos internos.
Isso causa até dez vezes mais melanoblastos viajando para o “lugar errado” do que em galinhas normais, saturando o corpo inteiro de pigmento escuro.
Raridade e valor nos Estados Unidos
Encontrar essa raça nos Estados Unidos é desafiador devido ao banimento de importações diretas da Indonésia, implementado por receio da gripe aviária. Por volta de 2014, um casal reprodutor podia custar US$ 2.000, refletindo a demanda elevada diante da oferta escassa.
A Greenfire Farms, criadora americana mais conhecida, comercializa hoje pintinhos recém-nascidos por US$ 199, embora dificilmente fiquem disponíveis em estoque. Segundo seu proprietário Paul Bradshaw, quem investe em galinheiros sofisticados busca uma criação artesanal com história e beleza únicas, exatamente o que essa linhagem indonésia oferece.
Pigmentação rara que não afeta a saúde
Apesar de rara e visualmente dramática, a mutação genética não prejudica o bem-estar do animal. A galinha vive normalmente, sem problemas de saúde decorrentes da pigmentação excessiva — diferentemente de muitas outras mutações que trazem desvantagens ao organismo.













