Um presente inusitado se tornou alvo de pesquisas na Austrália. Uma estudante de biologia da Universidade de Tecnologia de Queensland ganhou um abacaxi inusitado e começou a investigar o mistério botânico.
Cultivado pelos irmãos Colin e Mark Harris na fazenda da família em Wamuran, ao norte de Brisbane, o fruto tinha uma forma incomum: múltiplas cabeças cresciam juntas, como um leque aberto. Ynna Hernandez-Europa e seus colegas de classe começaram a investigar a causa da deformação.
Após pesquisar e consultar comunidades online, eles descobriram que o fenômeno se chama fascição. Trata-se de um processo biológico raro em que a planta desenvolve um crescimento anormal a partir de seu ponto de origem.

Como a fascição funciona nas plantas
A fascição pode ocorrer em praticamente qualquer espécie vegetal, causando uma distorção que começa no caule ou na base da planta e depois influencia o formato das flores ou frutos.
Segundo o professor associado Dan Tan, agrônomo da Universidade de Sydney especializado em fisiologia de plantas, o processo envolve um único ponto de crescimento que, por razões hormonais ou genéticas, se expande de forma anormal.
As causas podem ser variadas: fatores genéticos, infecções bacterianas ou virais e estresse da planta. O produtor Mark Harris atribuía a fascição ao excesso de crescimento do abacaxi. Agricultores da região também disseram que condições climáticas extremas, tanto calor quanto frio, no momento da floração podem desencadear o fenômeno.
Possibilidade de consumo do fruto
Apesar da aparência estranha, o abacaxi fascíado é comestível e seguro para o consumo. O núcleo do fruto, porém, fica maior e mais largo por causa do formato em leque, o que inviabiliza o processamento tradicional.
Mark Harris indicou que o melhor aproveitamento seria colocar o fruto em um liquidificador ou processador para extrair a polpa e usá-la em sucos e outras bebidas.













