Antes de pisar na pista, os bovinos passam por uma rotina de preparo que pouco fica a dever à de esportistas de alto rendimento. Tratadores aparam pelos, lixam chifres e avaliam cada detalhe da aparência como parte da preparação para o momento decisivo.
Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Maus-Tratos de Animais, o veterinário Cesar Fabiano Vilela afirmou que os bois e cavalos usados em rodeios contam com um acompanhamento diferenciado de saúde.
De acordo com ele, essa rotina inclui vitaminas, acompanhamento veterinário constante e deslocamento em veículos adaptados, com pisos que evitam escorregões e compartimentos revestidos justamente para prevenir lesões durante o trajeto.
Preparação minuciosa do gado antes da pista
O tratamento assemelha-se ao de um “dia do noivo”, com profissionais cuidando do espaço, garantindo limpeza e conforto adequados.
A preparação inclui o uso de um aparelho de barbear para remover pelos embaixo da boca do animal, enquanto os chifres ganham brilho especial com lixamento cuidadoso.
Profissionais também avaliam os cascos, enquanto o pelo recebe tratamentos continuados. Esse cuidado se explica porque o trabalho de uma vida será julgado em poucos minutos na pista.
Regulamentação e contestação
Segundo Vilela, os organizadores de rodeios seguem regulamentações específicas como as Leis 10.519/02 e 10.520/02, além do Regulamento do Bem-Estar Animal em Competições, o que lhes garante uma espécie de “selo verde”.
Ativistas dos direitos dos animais, porém, contestam essas garantias. Leandro Ferro, representante do Movimento Odeio Rodeio, argumenta que, em rodeios, equipamentos como chicote, espora e cinta de flancos são usados para causar dor com carga violenta sobre os animais.
A crítica central é que os preparos prévios não compensam os traumas durante o próprio evento. O embate foi apresentado em audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Maus-Tratos de Animais.
Com ambos os lados defendendo suas posições sobre o bem-estar animal em rodeios.













