Em Chonburi, na Tailândia, uma tradição chama atenção: um concurso reune búfalos-d’água como parte do tradicional festival de corrida da região. Os animais recebem coroas de flores, puxam carruagens de dois metros e disputam até mesmo concursos de beleza.
Em 2025, o búfalo Tod, de 5 anos, competiu pela primeira vez e chamou atenção pelo interior vermelho vivo das orelhas, em contraste com o pelo escuro. Tod pertence a Thawatchai Daeng-Ngam, que vende comida, trabalha como agricultor e cria o animal como principal reprodutor do plantel.
Realizado no fim do 11º mês lunar, o festival marca o início da colheita e celebra os animais, que já foram essenciais à agricultura tailandesa.
De força de trabalho a atração de palco
Os tratores substituíram boa parte do trabalho que cabia a esses búfalos, valorizados pela capacidade de arar a terra e carregar peso. Quando não participam de disputas e exibições, muitos acabam vendidos para abate, e por isso, os concursos ajudam a preservar esses animais.
A festa em Chonburi começou com um desfile de estudantes que apresentaram danças tradicionais tailandesas, mas os concorrentes foram a grande atração. Alguns usavam coroas de flores enquanto puxavam carruagens de madeira com rodas de 2 metros, nas quais seus donos viajavam ao lado de mulheres vestidas a caráter.
Corrida e disputa de linhagem rara
A programação incluiu ainda uma corrida com jóqueis guiando os animais por uma pista de 100 metros. Pitun Rassamee levou seu exemplar albino de 3 anos, batizado Lookaew — “mármore”, em tailandês —, vencedor de disputas locais, e esperava ficar entre os cinco primeiros colocados.
A expectativa tinha fundamento: outro búfalo albino tailandês foi vendido em 2024 por 18 milhões de bahts, o equivalente a 672 mil dólares, depois de somar vitórias em vários concursos. Exemplares raros como esse ganham valor de mercado quando se destacam nas competições.
Um setor que ganhou apoio oficial
A mecanização do campo fez o rebanho tailandês da espécie encolher, mas os concursos renovaram o interesse pelos búfalos e abriram espaço para uma indústria que hoje tem apoio do governo. Desde 2017 existe um Dia Nacional de Conservação do Búfalo Tailandês, e prefeituras locais oferecem apoio a quem cria os animais para reprodução.
Para Thawatchai, dono de Tod, participar do festival é só um hobby — ele deixa o búfalo solto na fazenda da família e foi ao festival apenas para comparar o desempenho dele com o dos rivais.
Cuidados de spa para os favoritos
Em propriedades maiores, o tratamento é mais rigoroso: os animais recebem banho diário e dieta especial à base de milho, soja, farelo e vitaminas. Durante o festival, cuidadores molhavam os búfalos sob sua responsabilidade. Esses animais eram mais altos e encorpados que boa parte da concorrência.
O julgamento leva em conta o tamanho dos chifres, a suavidade dos cascos e o físico geral do bicho.
O governo tailandês como guardião de uma tradição em desaparecimento
A população de búfalos-d’água tailandeses entrou em declínio acentuado conforme os tratores mecanizavam a agricultura. Diante disso, o governo tailandês não apenas permitiu que os concursos florescecessem — ele oficializou o apoio à criação.
Desde 2017 existe um Dia Nacional de Conservação do Búfalo Tailandês, e prefeituras locais oferecem assistência de reprodução aos criadores, sinalizando que a preservação da espécie virou questão de política pública. Com isso, os concursos deixaram de ser apenas uma atração cultural para também virar uma forma de conservação da espécie.













