O Zoo São Paulo, maior zoológico da América Latina, mantém uma fazenda própria em Araçoiaba da Serra, no interior paulista. A propriedade garante comida fresca e abastece diretamente as dietas de cerca de 2,5 mil animais sob os cuidados do parque. Essa produção faz parte da atuação dos zootecnistas, profissionais que trabalham do campo à conservação de espécies.
Celebrado em 13 de maio, o Dia Nacional do Zootecnista marca a importância da categoria. A cada mês, o terreno produz cerca de 20 toneladas de forrageiras, volume que chega à capital em três entregas semanais. O cardápio diário do parque soma aproximadamente 900 refeições, e com isso, cerca de 300 espécies diferentes recebem 27 mil porções mensais.
1. Capim e forragem cultivados na fazenda
O terreno de Araçoiaba da Serra é dedicado ao cultivo de capim-elefante-verde, capim-roxo, feijão-guandu e malvavisco. Esses cultivos formam a base alimentar dos herbívoros mantidos em cativeiro. O controle próprio da produção reduz riscos sanitários e garante mais qualidade ao que chega aos cochos.
Parte dessa colheita também vira ferramenta de enriquecimento ambiental. Bambu, cana-de-açúcar, galhos e folhagens estimulam comportamentos naturais, já que frutas e outros alimentos costumam ser escondidos entre esses materiais para incentivar a exploração do espaço pelos bichos.

2. Insetos criados no biotério do zoológico
No biotério, o zoológico cria insetos para espécies insetívoras e onívoras. Baratas, grilos e moscas fazem parte da alimentação principalmente de sapos, rãs e axolotes mantidos no parque.
Minhocas também nascem ali e viram recurso de enriquecimento ambiental para outras espécies. Hidratação, reprodução e higienização dos recipientes fazem parte do processo diário antes da entrega dos insetos aos setores de nutrição.
Lucas Carneiro disse ao Canal Rural que a estrutura da fazenda e do biotério é fundamental para manter o plantel de animais ameaçados de extinção que participam de programas nacionais e internacionais de conservação. Sem essa produção interna, o zoológico não poderia manter esses animais em cativeiro com segurança.
Cuidado extra com itens comprados
Lucas Carneiro, zootecnista responsável pela nutrição do Zoo São Paulo, disse ao Canal Rural que carnes, frutas, legumes e vegetais que não vêm da fazenda passam por inspeção sanitária equivalente à usada em alimentos para consumo humano.
A escolha de cada insumo segue critérios rígidos, e a ração não pode ser qualquer uma: é preciso buscar sempre a melhor qualidade disponível.
Carneiro disse ao Canal Rural que o profissional de zootecnia está preparado para trabalhar com nutrição animal em zoológicos, principalmente pela proximidade com novas tecnologias, como suplementos, probióticos e diferentes combinações nutricionais. No zoológico, porém, o cuidado é ainda maior: é necessário entender toda a cadeia produtiva.
Desde como produzir um capim até a escolha dos produtos oferecidos aos animais que vão do sapo ao elefante.













