Espinafre, morango e uva estão entre os alimentos mais contaminados por agrotóxicos, segundo levantamento do Environmental Working Group.
A organização sem fins lucrativos Environmental Working Group (EWG) divulgou a edição 2026 do Guia do Consumidor para Pesticidas em Produtos Frescos. A edição reúne dados de 54 mil amostras de 47 frutas e vegetais.
As amostras foram testadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA depois de lavadas e descascadas.
Resíduos de defensivos agrícolas apareceram em 75% dos itens cultivados de forma convencional. Esse número salta para 96% entre os 12 alimentos do grupo chamado Dirty Dozen.
Pela segunda vez consecutiva, o espinafre lidera o ranking dos mais contaminados, seguido por couve, couve-galega e mostarda.
A edição 2026 traz ainda um alerta inédito para outro tipo de contaminação: os compostos per e polifluoroalquil, conhecidos como PFAS.
Frutas e vegetais mais contaminados por agrotóxicos
Depois das folhas verdes, o levantamento aponta morango e uva na sequência da lista, seguidos por nectarina, pêssego, cereja e maçã.
Amora, pera, batata e mirtilo completam o grupo dos 12 alimentos com maior variedade de resíduos químicos.
A grande novidade do estudo está no mapeamento dos PFAS, substâncias que resistem à decomposição tanto no ambiente quanto no corpo humano.
Essas moléculas são chamadas de “químicos eternos” justamente porque não se degradam com facilidade e podem se acumular ao longo do tempo.
O que os “químicos eternos” podem causar
Nos vegetais mais contaminados, os PFAS foram identificados em 63% das amostras analisadas pelo levantamento.
Cientistas associam esse tipo de substância a problemas na tireoide, danos ao sistema imunológico, alterações hormonais e maior risco de câncer.
Estudos também associam os PFAS a problemas de saúde reprodutiva, como a redução da produção de espermatozoides, e a condições como a endometriose.
As gestantes são um grupo de risco especial, já que os efeitos dos PFAS tendem a ser mais intensos durante a formação do feto.
Não existe consenso científico sobre uma dose segura de PFAS. Algumas agências sugerem que mesmo quantidades mínimas, medidas em partes por trilhão, podem trazer prejuízos à saúde.
O fungicida fludioxonil, um agrotóxico da categoria PFAS, aparece no topo do ranking entre todas as substâncias identificadas nas análises. Pêssegos e nectarinas apresentaram esse composto em quase 90% das amostras avaliadas pelo levantamento.
Fluopiram e bifentrina, dois outros compostos ligados aos PFAS, também figuraram entre os dez Pesticidas mais frequentes no total das análises.
Mesmo com esses resultados, cientistas do EWG reforçam que a população não deve interromper o consumo diário de vegetais.
A recomendação é priorizar versões orgânicas dos itens mais contaminados ou buscar alternativas com menor presença de resíduos.
Alternativas com menos resíduos químicos
Um segundo grupo do levantamento traz um retrato mais favorável para quem busca opções mais seguras.
Batizado de Clean Fifteen, ele reúne os 15 produtos com os menores índices de contaminação no cultivo convencional.
Esses alimentos são beneficiados principalmente pela casca espessa, que funciona como barreira contra resíduos.
Nesse grupo, quase 60% das amostras não apresentaram resíduos mensuráveis de agrotóxicos. E apenas 16% continham mais de uma substância, um contraste direto com o Dirty Dozen.
A lista inclui abacaxi, milho-verde, abacate, mamão papaia, cebola e ervilha congelada.
Completam o grupo aspargo, repolho, couve-flor, melancia, manga, banana, cenoura, cogumelo e kiwi.
A recomendação prática é combinar as duas listas nas compras: priorizar versões orgânicas dos itens mais contaminados e apostar no Clean Fifteen para economizar sem abrir mão da variedade de vegetais na mesa.













