O café moído acumulou queda de 17,2% nos 12 meses encerrados em julho no Brasil, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. É a maior redução acumulada pelo produto desde o início do Plano Real, em julho de 1994.
A queda ocorre depois de uma forte disparada. Nos 12 meses encerrados em maio de 2025, o café havia acumulado alta de 82,24%, em meio a problemas climáticos que prejudicaram a oferta.
Agora, a melhora das condições das lavouras e a expectativa de uma safra maior aumentam a disponibilidade do grão e ajudam a reduzir os preços no varejo. Mesmo assim, o produto ainda não voltou aos níveis anteriores à disparada.
Quedas regionais do café variam pelo país
A redução foi registrada nas 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IPCA, mas com intensidades diferentes:
- Belo Horizonte: queda de 23,51%
- Rio de Janeiro: queda de 21,33%
- Curitiba: queda de 20,49%
- São Paulo: queda de 18,38%
- São Luís: queda de 8,13%
- Aracaju: queda de 7,48%
Em São Paulo, um pacote de 500 gramas custava, em média, R$ 25,51 em junho. O valor era 17,55% menor que os R$ 30,94 registrados no mesmo mês de 2025. Apesar da queda, o preço ainda estava acima dos R$ 22,65 registrados em janeiro de 2025.
Além da cotação do grão, o valor final depende de fatores como custos de transporte, processamento, distribuição e comercialização.
Safra e clima
A produção brasileira ajuda a explicar a queda. Em junho, o IBGE estimou safra recorde de 4 milhões de toneladas em 2026, ou 66 milhões de sacas de 60 kg, alta de 14,7% sobre 2025. São 2,7 milhões de toneladas de arábica e 1,3 milhão de toneladas de canephora. O clima mais favorável e a bienalidade positiva do arábica contribuíram para a projeção.
A Conab também prevê 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% em relação a 2025. Para o arábica, a estimativa é de 44,1 milhões de sacas, crescimento de 23,3%. Apesar da maior oferta, o El Niño pode provocar novas oscilações. O fenômeno tende a reduzir as chuvas no centro-norte do Brasil e aumentar os volumes no Sul, afetando produtividade e qualidade das próximas safras.













