Uma mudança no sistema de criação transformou a rotina de um rebanho leiteiro em Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais. Na comunidade rural de Piteiras, o produtor Alisson Gonzaga adotou o Compost Barn, sistema em que as vacas ficam em um galpão coberto com uma cama coletiva de material orgânico.
Após a mudança, as 90 vacas em lactação passaram, segundo o produtor, de uma média de 18 para 40 litros de leite por animal por dia, aumento de aproximadamente 122% na produção individual.
Por dentro do sistema que muda a rotina do rebanho
No Compost Barn, as vacas não ficam no pasto. Elas se movimentam livremente dentro de um galpão aberto, com dimensões de aproximadamente 54 por 24 metros, estruturado sobre uma cama de material orgânico feita de serragem, casca de amendoim ou palha.
Além de oferecer conforto, a cama faz parte do sistema. O galpão protege os animais do sol e da chuva e cria um ambiente controlado ao longo do dia.
O manejo é essencial. Excesso de umidade pode prejudicar a compostagem e aumentar riscos sanitários. Ventilação, densidade de animais, revolvimento e reposição do material precisam ser acompanhados constantemente.
Manejo diário e aproveitamento posterior
Na propriedade de Alisson, manter o Compost Barn funcionando exige atenção constante. A cama orgânica é revolvida três vezes por dia, e o produtor acompanha a umidade do material com rigor para evitar problemas de saúde nos animais.
Após o uso, a mistura de material orgânico, fezes e urina pode passar por compostagem e ser aproveitada como fertilizante ou condicionador de solo. Assim, nutrientes presentes nos dejetos retornam à propriedade e podem reduzir a necessidade de descarte.
A tecnologia ainda está em expansão no Brasil. A Embrapa Gado de Leite pesquisa o sistema desde a década passada e mantém uma instalação experimental para avaliar produtividade, qualidade do leite, sanidade, bem-estar e aproveitamento dos resíduos em condições tropicais.













