A maioria das maçãs convencionais produzidas nos Estados Unidos contém difenilamina acima do limite permitido pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.
A substância, também chamada DPA, é um químico usado para manter as maçãs frescas por mais tempo, embora não haja estudo conclusivo que comprove se o DPA é nocivo ao consumo.
A restrição europeia se baseia em preocupações relacionadas ao DPA.
A autoridade europeia estabeleceu, a partir de março, um limite máximo de 0,1 parte por milhão de DPA para maçãs e peras importadas.
Nos Estados Unidos, a regulamentação permite até 10 partes por milhão da substância em maçãs.
Restrição europeia às maçãs americanas e seu impacto real
O impacto dessa proibição é muito menor do que pode parecer à primeira vista.
O USDA Foreign Agricultural Service estima que a restrição poderia custar aos produtores americanos cerca de 20 milhões de dólares em vendas anuais na Europa.
Contudo, isso representa menos de 2% dos quase 1,1 bilhão de dólares que o setor exporta anualmente. A União Europeia não depende das maçãs americanas.
O bloco é o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos.
Quando importa, a UE se abastece principalmente de regiões do hemisfério sul, onde as maçãs amadurecem fora da estação europeia.
Os europeus, apesar do alto consumo per capita, não são grandes consumidores de maçãs americanas.
O alerta para a indústria alimentar global
Embora a restrição europeia não prejudique atualmente o mercado de DPA, ela sinaliza uma tendência mais ampla na regulação de alimentos.
A lista Dirty Dozen de 2014 destaca produtos americanos com maior carga de pesticidas, como maçãs, morangos, uvas e aipo.
À medida que os consumidores americanos demonstram preferência crescente por alimentos sem aditivos, a indústria alimentar precisa antecipar mudanças antes que consumidores ou governos ajam por conta própria.
Essa tendência também chega ao Brasil e afeta as exportações para o mercado europeu.
Autoridades francesas anunciaram planos para proibir a importação de frutas da América do Sul que contenham resíduos de agrotóxicos banidos na Europa, incluindo maçãs.
As exportações de frutas brasileiras para a França cresceram 42,4% em volume entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com igual período de 2024.
Embora a França represente pouco no total das exportações, produtores brasileiros cuja janela de produção de maçã ocorre entre fevereiro e abril precisam acompanhar as restrições adotadas na Europa diante do movimento regulatório em curso.













