Diferentes modelos de agricultura sustentável podem estar mais próximos entre si do que seus nomes sugerem.
Um estudo analisou quinze abordagens descritas na literatura internacional para medir as similaridades entre elas.
A análise revela que muitas práticas consideradas independentes compartilham fundamentos relevantes.
Entre as abordagens analisadas estão agroecologia, agricultura regenerativa, orgânica, de baixo carbono, conservacionista, circular e intensificação sustentável.
Para identificar os padrões de proximidade, a análise utilizou critérios semânticos e atributos conceituais, que permitiram agrupar as abordagens com mais clareza.
Cinco famílias de conceitos em agricultura sustentável
Os quinze conceitos analisados se distribuem em cinco grandes grupos.
O primeiro reúne práticas ligadas à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos, com foco na preservação dos ecossistemas e na forma como o solo e os organismos vivos interagem para sustentar a produção.
Sistemas certificados como a agricultura orgânica e biodinâmica compõem o segundo grupo. Um terceiro eixo aborda a eficiência e a intensificação sustentável.
O quarto reúne conceitos integradores, enquanto o quinto está associado à conservação e à regeneração.
Convergências que importam mais que os rótulos
Os agrupamentos apresentaram elevada consistência estatística, indicando que as abordagens, apesar dos nomes diferentes, convergem em objetivos comuns.
As características aparecem principalmente na ênfase dada a temas específicos como carbono, biodiversidade, certificação, saúde do solo ou resiliência climática.
Todas essas abordagens têm em comum a conservação dos recursos naturais, a eficiência produtiva, o aumento da resiliência diante de variações climáticas e a manutenção da produtividade ao longo do tempo.
A diversidade de nomes, portanto, é maior do que a diversidade real das ideias subjacentes.
Caminho para políticas públicas mais efetivas
Uma taxonomia quantitativa ajuda a reduzir ambiguidades entre modelos ao classificá-los com base em dados.
Com indicadores comparáveis entre as abordagens, fica mais viável apoiar políticas públicas mais integradas que reconheçam as convergências e evitem replicar esforços desnecessários.
Para produtores e gestores, o resultado sugere que a escolha entre diferentes modelos de agricultura sustentável não precisa ser excludente.
Muitas práticas podem ser combinadas, desde que o produtor compreenda que objetivos como conservação da biodiversidade, eficiência produtiva e resiliência climática estão no cerne de várias abordagens, independentemente do rótulo adotado.













