Desde julho, o Brasil sente os efeitos de um El Niño que pode se tornar o mais intenso desde 1950, há 76 anos.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirmou a presença do fenômeno.
Em boletim de segunda-feira (10), a NOAA informou que todos os critérios técnicos do fenômeno seguem presentes no Oceano Pacífico Equatorial.
A água daquela região está com anomalia de temperatura de 1,8°C acima da média, valor bem superior ao patamar mínimo de 0,5°C exigido para caracterizar o episódio.
A condição precisa ser mantida por pelo menos cinco meses consecutivos.
Segundo a NOAA, há 81% de chance de o evento ser classificado como muito forte, com pico esperado entre a primavera e o início do verão de 2026/2027.
A intensidade do El Niño e suas consequências
Levantamentos feitos após a divulgação da NOAA indicam que a probabilidade de um El Niño muito forte pode ser ainda maior do que a estimativa original de 81%.
A permanência prolongada da anomalia térmica no Pacífico Equatorial tende a manter os efeitos do fenômeno no território brasileiro até o início do outono de 2027.
Esse tipo de episódio costuma alterar significativamente o regime de chuvas em boa parte do país durante esse intervalo.
Efeitos regionais na produção agrícola
O Sul deve enfrentar umidade alta e chuvas acima do normal, enquanto Centro-Oeste, Nordeste e Norte tendem a conviver com secas prolongadas e ondas de calor.
Esse desequilíbrio hídrico atrasa o calendário de plantio e pressiona os preços de alimentos em diferentes cadeias produtivas.
Em 2024, aproximadamente 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados em razão de problemas climáticos. Esse dado reforça o alerta para a safra nos próximos ciclos.
O setor agrícola chega a este novo El Niño em condição financeira frágil para absorver perdas adicionais de produtividade.
Ajustes que já começam no campo
Produtores rurais avaliam mudanças na estratégia de cultivo para reduzir prejuízos causados pela distribuição irregular de chuvas.
A decisão sobre quais culturas priorizar em cada região deve considerar o histórico de episódios anteriores de El Niño.
O monitoramento contínuo do Oceano Pacífico Equatorial pela NOAA deverá indicar se a intensidade do fenômeno se confirma até o auge previsto entre meados da primavera e o início do verão de 2026/2027.
Até lá, o acompanhamento das anomalias térmicas será decisivo para calendários agrícolas em todo o país.













