O cultivo de grãos sem irrigação, historicamente uma das vantagens da agricultura brasileira, enfrenta um cenário mais incerto com o avanço das mudanças climáticas. Pesquisadores da Embrapa e de instituições como a Esalq alertam que as mudanças climáticas tornam essa forma de produção menos estável.
As perdas de produtividade também têm impacto financeiro. Quando a falta de chuva reduz a produção, produtores podem enfrentar dificuldades para cumprir os custos da safra e ampliar o endividamento. Nesse cenário, a irrigação ganha espaço como uma estratégia para reduzir a dependência das condições climáticas e dar maior previsibilidade à produção.
O potencial inexplorado da irrigação brasileira
O Brasil possui cerca de 11 milhões de hectares irrigados, mas esse número poderia chegar a 55 milhões de hectares, segundo estimativas da Rede Nacional de Irrigantes. Ampliar essa estrutura permitiria reduzir a exposição das lavouras às oscilações do regime de chuvas e aumentar a estabilidade das colheitas.
Potencial de expansão:
- 15,5 milhões de hectares: potencial de incorporação à irrigação nos próximos 30 anos.
- 6,4 milhões de hectares: já apresentam condições favoráveis para implementação mais rápida.
- 2,1 milhões de hectares: poderiam ser incorporados a cada quatro anos em áreas próximas aos principais polos irrigados.
Diferenças regionais:
- Paraná: apenas 0,2% das lavouras são irrigadas.
- Mato Grosso: cerca de 2% das lavouras contam com irrigação.
- Mesmo em grandes áreas produtoras, a maior parte das lavouras ainda depende das chuvas.













