O preço do feijão carioca acumulou alta de 49,50% no Brasil entre janeiro e julho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço colocou o grão entre os alimentos que mais pesaram no bolso do consumidor no período.
A alta, porém, não atingiu todos os tipos da mesma forma. O feijão-preto acumulou queda de 4,40% no mesmo intervalo. A diferença está relacionada às condições específicas de oferta, produção, qualidade dos lotes e comportamento da demanda em cada mercado.
No caso do carioca, uma combinação de menor área cultivada, oferta mais restrita de grãos de alta qualidade e recomposição das compras pela indústria ajudou a sustentar as cotações.
Impactos no feijão
Área plantada
- Safra anterior: 2,693 milhões de hectares.
- Safra atual: 2,5428 milhões de hectares.
- Redução: 5,6%.
- Motivo: preços menos atrativos reduziram a rentabilidade e levaram produtores a priorizar outras culturas.
Produção nacional
- Safra 2025/26: cerca de 3 milhões de toneladas, segundo a Conab.
- Mesmo com produtividade maior, a menor área limita o crescimento da oferta.
- Estoques mais apertados podem manter os preços elevados em determinados segmentos.
Qualidade dos grãos
- A qualidade passou a ter peso maior na formação dos preços.
- Carioca de melhor padrão: oferta restrita no início de julho.
- Áreas irrigadas do Cerrado: colheita avançou, mas os volumes ainda eram limitados.
- Indústrias: mantiveram as compras para recompor estoques.
O que pode acontecer daqui para frente
A alta do carioca não significa que o Brasil esteja sem feijão. A produção nacional permanece próxima de 3 milhões de toneladas, mas a combinação entre menor área, estoques mais apertados, oferta irregular e procura concentrada nos melhores lotes elevou os preços.
A tendência dos preços dependerá do avanço da colheita, da qualidade dos novos lotes e do ritmo de compras das indústrias. Uma oferta maior pode aliviar as cotações, desde que os novos volumes atendam ao padrão exigido pelo mercado.













