O arroz em casca ganhou força no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no Brasil, enquanto produtores reduzem a oferta de lotes à espera de preços mais próximos de R$ 80 por saca. O movimento ocorre após meses de cotações deprimidas, em um mercado que agora começa a reagir com a oferta mais restrita e a demanda das indústrias.
O Indicador CEPEA/IRGA-RS, para arroz em casca com 58% de grãos inteiros, chegou a R$ 72,81 por saca de 50 quilos em 11 de agosto, segundo dados do Cepea. O valor representa alta de 6,09% desde o início do mês e dá margem para os produtores segurarem parte da produção em busca de novas valorizações.
Baixa oferta de arroz trava negociações no campo
Com menos sacas circulando, as indústrias enfrentam dificuldade real para repor os estoques que precisam manter em funcionamento. Essa disputa por um volume menor tende a empurrar os preços para cima.
O movimento ocorre após um período de preços baixos que afetou a rentabilidade da cultura. Em maio de 2025, o próprio Cepea apontava que as cotações no Rio Grande do Sul estavam nos menores níveis nominais desde 2022, cenário que levantava dúvidas sobre a atratividade do plantio.
A menor área cultivada também contribuiu para limitar a oferta. A Conab estimou inicialmente redução de 5,6% na área brasileira de arroz na safra 2025/26, para cerca de 1,66 milhão de hectares.
Comércio Exterior muda de direção
Segundo o Cepea, as exportações brasileiras de arroz atingiram no primeiro semestre de 2026 o maior volume da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), fortalecendo a demanda e a competitividade das vendas externas.
Ao mesmo tempo, as importações seguem importantes para o abastecimento interno e podem aliviar a pressão sobre as indústrias diante da menor oferta nacional. O equilíbrio entre comércio exterior e disponibilidade doméstica será decisivo para os preços. Se produtores mantiverem as vendas limitadas e a indústria continuar comprando, as cotações tendem a permanecer firmes.













