Uma startup brasileira usa a mesma tecnologia laser aplicada pela NASA em Marte para medir carbono no solo de fazendas no país. A Agrorobótica dispara raios laser sobre amostras de terra.
A partir dos resultados, a empresa planeja gerar créditos de carbono que podem ser vendidos a grandes empresas do agronegócio.
O método é chamado Laser Induced Breakdown Spectroscopy, uma técnica analítica que utiliza pulsos de laser de alta energia para ionizar amostras.
A tecnologia foi empregada pelo robô Curiosity, da NASA, para estudar as rochas de Marte a partir de 2012.
No Brasil, a startup usa esse princípio para avaliar a saúde da terra e apontar caminhos de produção mais sustentáveis.
O Banco do Brasil investiu R$ 5,4 milhões na Agrorobótica por meio de seu braço de venture capital. Em parceria com a gestora VOX Capital, e o aporte foi anunciado na Agrishow 2026.
O investimento reforça o interesse do setor financeiro pela geração de créditos de carbono a partir de dados agrícolas.
Tecnologia Laser para analisar solo em fazendas Brasileiras
A história da empresa começou em 2015, quando Fábio Angelis conheceu a pesquisadora Débora Milori em um simpósio de instrumentação agropecuária promovido pela Embrapa Instrumentação.
Em São Carlos, São Paulo, e milori aplica essa técnica há mais de 20 anos, inclusive para detectar mercúrio em alimentos.
Fascinado pelo potencial da ferramenta, Angelis decidiu empreender e criar sua própria startup. Ele chamou Aida Magalhães, pesquisadora da Embrapa que se tornou sócia e CTO da Agrorobótica.
Os dois passaram boa parte dos anos seguintes construindo uma plataforma capaz de avaliar o solo com disparos de Laser.
“Todo mundo falava que não dava certo fazer o que nós queríamos com a tecnologia, porque era muito inovadora”, afirma Angelis.
Como funciona e de onde vem a receita
O processo começa com o georreferenciamento da propriedade e a coleta de amostras de solo transformadas em pastilhas. Um único disparo de laser permite à plataforma AgLibs analisar 23 parâmetros.
Entre eles estão textura, densidade, pH e macronutrientes, tarefa que laboratórios tradicionais levam até 20 dias para concluir. Segundo Angelis, cada ponto de análise de carbono é válido por 20 anos.
O que sustenta contratos de longo prazo com multinacionais interessadas em medir a pegada de carbono de suas terras.
Depois da adoção de práticas como plantio direto, fertilizantes orgânicos e bioinsumos, a Agrorobótica planeja emitir créditos com certificação da Verra.
Uma das maiores certificadoras do mundo, a Verra terá os lucros divididos entre as partes ao longo de contratos de 20 anos.
Investimento e expansão pelo Brasil
Angelis financiou a operação com recursos próprios até 2019. Naquele ano, a empresa NT@agro entrou como sócia e ficou com 22,5% do capital social da startup.
O aporte impulsionou o desenvolvimento da plataforma AgLibs, lançada em parceria com a Embrapa em 2023.
A startup ainda não gerou créditos de carbono para seus clientes. Mas Angelis planeja iniciar esse processo nos próximos anos, somando essa receita às vendas de serviços de análise e implantação de projetos.
A meta é usar o novo aporte para abrir centros de operação em outros estados. E ampliar a presença da tecnologia laser nas fazendas brasileiras.













