Quem pensa em colher as primeiras verduras e legumes até dezembro encontra em agosto um bom momento para começar o plantio, com dias mais longos e temperaturas em elevação gradual.
O solo fica mais receptivo a diferentes tipos de hortaliça, mesmo com resquícios do frio ainda no ar.
Nesse período de transição entre estações, raízes, folhosas e itens de tempero se adaptam bem.
A escolha certa da espécie, aliada ao tipo de solo e à região do país, define o sucesso da colheita nos meses seguintes.
Frutos que pedem calor moderado em agosto
A abóbora não resiste a geadas nem a baixas temperaturas. Por isso, o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste são as regiões mais indicadas para o cultivo neste momento, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Entre a semeadura e a colheita, o intervalo costuma ficar entre 90 e 120 dias.
Já a abobrinha, também chamada de abobrinha italiana ou verde, tem ciclo mais curto: a colheita chega entre 45 e 60 dias após o plantio.
Ela pode nascer direto no solo ou em bandejas e, assim como a abóbora, não tolera geadas nem frio intenso.
Folhosas e raízes de ciclo rápido
A alface figura entre as hortaliças mais consumidas à mesa brasileira e se adapta a qualquer região do país. A colheita ocorre cerca de dois meses após o plantio.
Crespa e lisa são as variedades mais populares, mas americana, mimosa, romana e roxa também aparecem como opções.
Para quem tem pouca prática com horta, a batata-doce costuma surpreender pela facilidade de cultivo.
Solos arenosos e bem arejados favorecem o desenvolvimento da raiz, conforme a Embrapa, e a muda pode vir da própria batata brotada, só dos brotos ou das ramas, a colheita leva entre 120 e 150 dias.
Raízes de mesa e temperos essenciais
Consumida crua, cozida, em sucos e como ingrediente de pães e doces, a beterraba prospera em solos leves e bem drenados, sob temperaturas amenas.
No Sul e no Sudeste, o plantio pode acontecer o ano todo, enquanto nas demais regiões o período ideal vai de abril a agosto.
A cebolinha, item comum em sopas, carnes e molhos, chega à colheita em dois meses. Ela se dá bem no frio e nas temperaturas moderadas típicas do Sul e do Sudeste em agosto.
Simples de cultivar e capaz de rebrotar depois do corte, chega ao ponto de colheita em até 70 dias.
Espécies de ciclo mais longo
Originário da Ásia, o gengibre pode atingir 1,5 metro de altura e exige solo arenoso, bem drenado e rico em matéria orgânica, além de clima tropical. Temperaturas abaixo de 13ºC interrompem seu crescimento.
É a hortaliça de ciclo mais demorado da lista, com colheita perto dos 200 dias após o plantio.
O Nabo, parente do repolho, da couve e do rabanete, se desenvolve em solo argiloso e é semeado direto na terra.
A Embrapa indica o outono e o inverno como épocas ideais na maior parte do Brasil. Em áreas altas, porém, com temperaturas entre 15°C e 25°C, o cultivo funciona o ano inteiro, com colheita a partir de 50 dias.
O pimentão requer semeadura em bandejas para o desenvolvimento das mudas, que depois são transplantadas para a horta. Intercalar seu cultivo com gramíneas reduz doenças, conforme a Embrapa.
A colheita ocorre entre 100 e 120 dias, com plantio recomendado no Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.
A Rúcula se desenvolve bem em temperaturas leves, plantada direto no solo ou em bandejas. Permite colheita em 40 dias e renovações posteriores para novos cortes ao longo do ciclo.
Combinar espécies de ciclo curto, como Abobrinha e Cebolinha, com outras de ciclo mais longo, como o Gengibre, permite colheitas escalonadas ao longo dos meses seguintes.
Assim, quem organiza o plantio em agosto consegue variedade na mesa sem depender de uma única safra.













