O etanol hidratado, que acumulava quatro meses de queda, voltou a subir no mercado paulista. Em apenas uma semana, o preço negociado pelas usinas avançou 8,2%, para R$ 2,1955 por litro. A alta ocorre após uma forte desvalorização registrada nos meses anteriores.
Entre o início de abril e a primeira semana de agosto, o indicador do Cepea/Esalq acumulou queda de 29% no etanol hidratado comercializado pelas usinas de São Paulo. Agora, a valorização no mercado produtor e nos terminais pode aumentar a pressão sobre os preços cobrados nos postos, colocando fim ao período de combustível mais barato para muitos motoristas.
Consumo reage à vantagem do etanol
Durante meses, o etanol foi vendido a preços suficientemente baixos para compensar seu maior consumo. Tradicionalmente, considera-se que o biocombustível é vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina. Essa referência, porém, mudou com a entrada da gasolina E32, que passou a conter 32% de etanol anidro desde 1º de agosto.
Com a maior participação de etanol na mistura, a gasolina passou a ter menor densidade energética. Por isso, estudos e análises do mercado indicam que, dependendo da eficiência do veículo, o etanol hidratado pode continuar vantajoso mesmo quando custa até cerca de 78% do preço da gasolina. A conta, no entanto, varia conforme o motor e o consumo de cada modelo.
Governo aprova subsídio para o setor
A recuperação do setor sucroenergético ganhou apoio com a aprovação do PLP 114/2026, que prevê:
- até R$ 1,2 bilhão em subvenções ao etanol;
- até R$ 750 milhões em créditos tributários;
- mecanismos de compensação pela mudança na tributação dos combustíveis.
As medidas buscam reduzir os efeitos da política de contenção dos preços da gasolina sobre a concorrência com o etanol. Em maio, o governo regulamentou uma subvenção de cerca de R$ 0,44 por litro de gasolina, com custo estimado em R$ 1,2 bilhão por mês.
Ao mesmo tempo, a alta do açúcar pressiona o mercado de etanol. O demerara para março subiu 14,7% no mês, chegando a 16,82 centavos de dólar por libra-peso, maior nível em cerca de um ano.
Com o açúcar mais rentável, usinas podem destinar mais cana à produção do adoçante, reduzindo a oferta para o etanol. Estimativas do setor apontam ainda que a absorção integral das mudanças tributárias e dos custos poderia elevar o preço do açúcar em cerca de R$ 150 por tonelada.













