Depois de construir um império nos setores de mineração, petróleo, energia e infraestrutura, Eike Batista tenta voltar ao mercado com uma aposta no agronegócio e na transição energética. Em fevereiro de 2025, apresentou um projeto de “supercana”, tecnologia que promete elevar a produtividade da cana e ampliar a produção de etanol e combustível sustentável de aviação, o SAF.
O projeto recebeu um aporte anunciado de US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,8 bilhões na cotação da época, da Brasilinvest, com recursos de fundos dos Emirados Árabes Unidos e dos Estados Unidos. Eike participa como consultor e poderá converter sua participação em ações.
A aposta ganha espaço em um cenário de instabilidade no mercado global de energia. Os conflitos no Oriente Médio e as ameaças ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo, aumentam a preocupação com a segurança do abastecimento e abrem espaço para alternativas energéticas renováveis, menos dependentes dos combustíveis fósseis.
Tecnologia e investimento por trás da supercana
Segundo os responsáveis, a tecnologia, baseada no cruzamento genético de variedades de cana, pode produzir até três vezes mais etanol por hectare e entre 10 e 12 vezes mais biomassa que variedades convencionais. A maior produtividade permitiria ampliar a produção sem depender apenas da expansão da área cultivada.
A biomassa também abre espaço para diferentes produtos:
A BRXe estuda novas variedades há mais de uma década e já investiu mais de R$ 350 milhões na tecnologia. A proposta, porém, ainda precisa comprovar produtividade e viabilidade comercial em larga escala.
A iniciativa prevê:
Cautela da indústria e o histórico de Batista
Representantes do setor sucroenergético receberam o anúncio com ceticismo. A indústria lembra que iniciativas semelhantes foram testadas antes e abandonadas por dificuldades de viabilidade econômica e mantém a desconfiança diante do retorno de Batista.
Batista comandou o Grupo EBX (MMX, OGX, OSX, LLX) entre 2000 e 2012 e estava entre os sete homens mais ricos do mundo. Seu patrimônio era estimado em US$ 30 bilhões, cerca de R$ 60 bilhões na época.
A petroleira OGX frustrou expectativas de produção, desencadeando colapso que resultou em falências e recuperações judiciais. Investigações judiciais o afastaram do mercado por anos.













