
Pesquisas indicam que a alternância ou mistura de vacas e cavalos em pastagens contribui para a redução significativa de parasitas em ambas as espécies.
Dois estudos recentes demonstraram que alternar ou misturar vacas e cavalos em pastagens pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a carga de parasitas em ambas as espécies. Os pesquisadores descobriram que, ao compartilharem o mesmo ambiente, esses animais atuam como “aspiradores naturais”, ingerindo larvas de vermes que normalmente infestariam a outra espécie, interrompendo assim o ciclo de vida dos parasitas.
Os estrongilídeos de bovinos não conseguem se desenvolver em cavalos, e os de equinos não sobrevivem em bovinos. Isso permite que cada espécie contribua para “limpar” o pasto da outra. Segundo Felix Heckendorn, PhD, do Instituto de Pesquisa para Agricultura Orgânica, na Suíça, esse fenômeno cria um ciclo natural de redução da infestação por parasitas.
Pesquisadores franceses analisaram fazendas onde cavalos pastavam juntamente com bovinos. Os resultados revelaram que cavalos que compartilhavam pastagens com gado apresentavam uma carga de vermes significativamente menor do que aqueles que pastavam em áreas exclusivas para equinos.
Em outro estudo, realizado nas montanhas do Jura, na Suíça, Heckendorn e sua equipe testaram a influência da rotação de pastagens entre as espécies. Eles dividiram bovinos jovens em pastos previamente utilizados por cavalos e compararam as cargas parasitárias.
O experimento envolveu dois pastos idênticos, onde inicialmente cinco bovinos da raça Red Holstein/Holstein e três cavalos da raça Franche-Montagne pastaram separadamente por duas semanas. Posteriormente, os pastos foram esvaziados por seis semanas, os bovinos foram desparasitados e, então, divididos em dois grupos: um colocado em pastagens anteriormente ocupadas por cavalos e outro em pastagem exclusiva para bovinos.
Três semanas depois, a contagem de ovos fecais revelou uma redução significativa na excreção de ovos de vermes no grupo que pastou no campo previamente utilizado pelos cavalos. Além disso, os bovinos que utilizaram esse pasto ganharam mais peso, embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa.
Heckendorn destaca que os estrongilídeos podem sobreviver na grama por cerca de seis semanas, dependendo das condições climáticas. Uma opção de manejo seria deixar o pasto vazio por esse período, permitindo que os vermes morressem naturalmente, mas isso pode resultar em desperdício de recursos.
Uma alternativa mais eficiente é o pastoreio cruzado, permitindo o uso contínuo da área e mantendo a fertilização do solo. A produção de feno também é uma opção, pois o processo de secagem elimina os parasitas.
Os estudos sugerem que a prática de compartilhamento de pastagens entre bovinos e equinos pode ser uma estratégia viável para o controle natural de verminoses, oferecendo uma alternativa sustentável e de baixo custo para pecuaristas. No entanto, Heckendorn ressalta que são necessárias pesquisas adicionais com um maior número de animais para validar esses achados de forma ampla.
Os resultados corroboram práticas já adotadas por muitos produtores rurais ao longo dos séculos, sugerindo que a sabedoria tradicional pode ter embasamento científico. A integração de diferentes espécies na pecuária pode ser uma solução eficaz para desafios sanitários enfrentados pelo setor.
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