Vespas controlam insetos que causam danos às plantações

Vespas controlam insetos que causam danos às plantações

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vespa atacando lagarta
Foto: Divulgação

Os insetos conhecidos popularmente como abelhas, vespas e marimbondos apresentam grande diversidade e abundância, com espécies bastante comuns em diversos ambientes

A bióloga, Kátia Braga, mestre e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente informa que essa diversidade de espécies se manifesta por meio da sua aparência corporal – pluralidade de cores, formatos, tamanhos – e diferentes comportamentos.

“Os adultos, de variadas espécies, se alimentam do néctar e do pólen das flores e, como as abelhas, podem atuar como polinizadores, igualmente contribuindo com a reprodução das plantas”, explica. Segundo a especialista, como ocorre com as abelhas, a maioria das espécies de vespas é solitária, mas há também aquelas com diferentes níveis de sociabilidade.

Predadoras de insetos

“Na agricultura, embora a contribuição estimada das vespas (4,4%) na polinização de cultivos seja bastante inferior à das abelhas (78,9%), elas desempenham diferente, porém importantíssimo papel, como predadoras: controlam as populações de múltiplos insetos, impedindo que o aumento dessas populações causem danos consideráveis aos cultivos e consequentes prejuízos aos agricultores”, ressalta a pesquisadora da Embrapa.

Vespas são predadoras de diversos insetos causadores de prejuízos às lavouras.
Vespas são predadoras de diversos insetos causadores de prejuízos às lavouras. Fotos: Embrapa

Kátia salienta que isso acontece porque “os adultos das vespas capturam lagartas, vaquinhas, percevejos, bichos-mineiros e outros insetos e os levam para seus ninhos como alimento para as crias, diferentemente do que fazem as abelhas, cuja origem do alimento da cria é vegetal – pólen, néctar e, em algumas espécies, também óleos florais”.

Vespas sociais

As vespas sociais são amplamente distribuídas por todos continentes, exceto a Antártica, informa a bióloga. “No Brasil elas são representadas, principalmente, pelas espécies de uma subfamília conhecida como Polistinae. Essas vespas sociais são muito comuns em áreas urbanas construindo seus ninhos sob estruturas de concreto ou metal ou dentro da parede de edifícios”

Kátia Braga destaca que a importância das vespas sociais e de sua diversidade se deve aos papéis ecológicos que elas desempenham na natureza, seja como polinizadores e predadores de outros insetos seja como detritívoros, ao forragearem frutos em decomposição e carcaças de animais.

Como diferenciar abelhas de vespas

Na opinião da pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, essa não é uma tarefa tão simples quanto possa parecer, “pois existem abelhas muito semelhantes às vespas e vespas muito semelhantes às abelhas. Mas uma coisa é certa, você nunca irá observar vespas nas flores acumulando grãos de pólen nas partes externas de seu corpo, nem qualquer outro inseto, a não ser as abelhas”.

Só as abelhas acumulam grãos de pólen nas partes externas do corpo.
Só as abelhas acumulam grãos de pólen nas partes externas do corpo. Fotos: Embrapa

Segundo ela, este é um comportamento que caracteriza as fêmeas da grande maioria das abelhas, sociais e solitárias: “o pólen coletado para alimentar a cria é armazenado e transportado até o ninho em suas pernas traseiras ou no ventre”, esclarece.

Tipos de ninhos

E quanto aos ninhos? Há como diferenciá-los entre as abelhas e as vespas? A especialista explica que abelhas e vespas variam bastante quanto ao tipo de ninho que utilizam.

“Diversas espécies de abelhas e vespas constroem seus ninhos em cavidades pré-existentes, como ocos nos troncos das árvores e “paneleiros” no solo; outras ainda constroem seus ninhos cavando o solo ou a madeira de troncos e galhos de plantas. Algumas vespas constroem pequenos ninhos com barro e diversas espécies de abelhas e vespas utilizam o barro na entrada de seus ninhos”, revela.

A bióloga salienta ainda que as vespas sociais (aquelas que formam enxames), conhecidas como vespas de papel e muito comuns em áreas urbanas e rurais, utilizam como revestimento em seus ninhos um material com aparência e consistência de papel e, justamente por isso, receberam este nome popular.

“Seus ninhos arredondados ou ovalados, com coloração acinzentada ou acastanhada, ficam geralmente expostos no ambiente e pendurados nos beirais das construções humanas ou na parte inferior das folhas de plantas de praças e jardins. Esse revestimento do ninho é constituído por fibras que as vespas coletam nas plantas e misturam com substâncias que elas próprias produzem”, sublinha Kátia.

As abelhas irapuás constroem ninhos muito resistentes em galhos de árvores.
As abelhas irapuás constroem ninhos muito resistentes em galhos de árvores. Fotos: Arquivo

De acordo com a especialista, algumas poucas espécies de abelhas sociais nativas também constroem ninhos aéreos (expostos).

“Duas dessas espécies são muito comuns na cidade e nas áreas rurais: uma é conhecida popularmente por irapuá, arapuá ou abelha-cachorro (Trigona spinipes) e outra como guaxupé ou xupé (Trigona hyalinata). Essas abelhas sociais, nativas do nosso país, pertencem ao grupo das abelhas sem ferrão (Meliponini), grupo que se destaca no Brasil pela sua grande diversidade”, ressalta.

Abelhas irapuá

Os ninhos das abelhas irapuá, de acordo com a bióloga, apresentam uma aparência também arredondada ou ovalada e são construídos pelas abelhas nos galhos das árvores.

“O revestimento externo, no entanto, assim como das abelhas guaxupé, apresenta uma coloração bem mais escura que o das vespas, coloração que resulta da mistura de barro, fezes, fibras de plantas, resina e outros materiais. Essa mistura confere a esse revestimento muita resistência, tornando-o duro como uma rocha”, acentua.

Na opinião da pesquisadora, é claro que, como a maioria das espécies de vespas e abelhas apresenta ferrão, há um certo risco de acidentes quando seus ninhos ficam muito próximos dos seres humanos e de seus animais domésticos, principalmente quando se trata de abelhas e vespas sociais; “contudo, vale lembrar que esse risco não existe quando se trata das abelhas sem ferrão (Meliponini)”, sublinha.

“Sabemos que esses insetos somente irão se defender quando ameaçados; portanto, devido à grande contribuição das abelhas na polinização e das vespas no controle de muitos insetos, inclusive em áreas urbanas, devemos sempre considerar o risco real de acidentes antes de providenciarmos a remoção de seus enxames”, orienta a especialista.

Via Embrapa Meio Ambiente

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