Um dos importantes elos da cadeia produtiva pecuária do país é a exportação de gado em pé; Brasil embarca 30.000 bovinos no maior navio boiadeiro do mundo e vídeo mostra esse feito extraordinário dentro do setor pecuário
Para aqueles que acham que a pecuária brasileira é desenvolvida apenas para a suprir a necessidade das indústrias brasileiras de carne bovina, está completamente enganado. Além dos mais de 250 subprodutos que o boi produz, a exportação de gado em pé é um elo fundamental para a cadeia produtiva pecuária do país. Neste cenário, um feito extraordinário foi quando o Brasil embarca 30.000 bovinos no maior navio boiadeiro do mundo.
O navio jordaniano Mawashi Express, considerado o maior do mundo no transporte de animais vivos, atracou no Porto da Vila do Conde, em Barcarena, no Pará, em 24 de fevereiro de 2022. Sendo responsável pelo transporte marítimo dos bovinos, a ação teve como destino um dos grandes mercados do Brasil para esse tipo de operação.
A exportação de gado vivo, ou gado em pé, é um nicho de mercado que compõem as receitas do Brasil, eleva o reconhecimento do setor agropecuário e proporciona retornos diretos aos pecuaristas.
Conforme as informações obtidas, o Mawashi Express, navio jordaniano que navega sob a bandeira do Panamá, foi construído em 1973 e convertido para o transporte de animais vivos em 1982. Ele tem capacidade de carga total de 46.265 toneladas e pode levar mais de 30 mil bovinos – o que o torna o maior navio de transporte de animais vivos do mundo. A embarcação já esteve duas vezes no Brasil, a última delas em 2017.
A megaoperação durou cerca de 5 dias para finalizar. Os animais são trazidos por caminhões boiadeiros que embarcam os bovinos nos Estabelecimento Pré-Embarque (EPEs). Os cuidados e observação relativos ao bem-estar animal começam bem antes do embarque, ainda nos EPEs, também com a supervisão da equipe.
Os EPEs são os locais onde os animais permanecem em quarentena para o cumprimento das medidas sanitárias exigidas pelos países importadores. Lá, servidores do Serviço de Fiscalização de Insumos e Saúde Animal (Sisa) acompanham desde a abertura da quarentena e o trato dos animais, até o encerramento, quando eles já cumpriram as exigências e estão prontos para o início da viagem.
O trabalho é feito por auditores fiscais federais agropecuários e agentes de atividades agropecuárias de duas áreas da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa: o Departamento de Saúde Animal (DSA) e a Coordenação Geral da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro)
Você consegue imaginar 30 mil animais a bordo de um megacurral flutuante? Confira o vídeo abaixo no maior navio boiadeiro
Exportação de gado em pé
Em 2022, os países da União Europeia, México, Canadá, Austrália, Estados Unidos e Brasil desempenharam um papel significativo nas exportações de bovinos, representando coletivamente 91,88% do mercado global.
A participação brasileira no mercado mundial de bovinos vivos foi de 3,78%. Quando consideramos apenas os países mencionados (países da União Europeia, México, Canadá, Austrália, Estados Unidos e Brasil), a contribuição do Brasil correspondeu a 4,11% do mercado.
Entretanto, a recuperação da exportação de bovinos em pé é notável. Em 2022, foram exportadas 194 mil cabeças, com faturamento de US$191.746 milhões. Já em 2023, até início de outubro, foram exportadas 385.168 cabeças, com faturamento de US$350.729 milhões, crescimento de 55,0% no faturamento. Vale ressaltar, que ainda se tem um trimestre pela frente para incrementar esses números.

Bem-estar animal
O Código Sanitário de Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) entende o bem-estar animal como a sanidade física e mental deles. É preciso que os animais estejam sãos, cômodos, bem alimentados e em segurança, podendo expressar seus comportamentos naturais. Eles não podem passar por situações desagradáveis como dor, medo e desassossego.
O Código indica também condições mínimas para o bem-estar animal, conhecidas como as cinco liberdades: viver livre de fome, sede e desnutrição; livre de medo e angústia; livre de desconforto físico e térmico; livre de dor, lesões e doenças; e livre para manifestar o comportamento natural.

O Mapa atua para que as ações de bem-estar ocorram em todas as fases desse processo. Também capacita todos os envolvidos no manejo animal. Para se ter uma ideia, na área portuária a fiscalização começa com a vistoria da embarcação, para checar se está apta a receber os bovinos, proporcionando as cinco liberdades.
Alimentação e água devem estar disponíveis para todo o percurso, além de equipamentos para abastecer os reservatórios e para promover a ventilação e oxigenação adequadas. Também é fiscalizado o espaçamento horizontal e vertical onde os animais ficarão, as baias hospitalares, o uso de pisos antiderrapantes e a ausência de objetos perfurocortantes. É obrigatório que haja farmácia a bordo e um planejamento para isolar decks, caso alguma patologia transmissível ocorra durante a viagem.
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