A onda de invasões do MST pelo país segue a todo vapor com o andar do “Abril Vermelho”, ao todo o movimento espera ainda ocupar um total de 50 áreas até o final do mês. Confira o vídeo abaixo com a denúncia da proprietária da fazenda invadida
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aposta nas ações de ocupação e invasão de terras, públicas e privadas, para chamar atenção do Governo Federal para a necessidade da reforma agrária no país. Na última semana, a empresária e fazendeira de Parauapebas, Renilda Benevides, publicou um vídeo gravado por ela pedindo ajuda de populares e autoridades municipais, estaduais e nacionais, após sua fazenda de 50 alqueires, localizada próximo a Palmares II, em Parauapebas, ter sido invadida por integrantes do acampamento MST, na segunda-feira (15).
Segundo a empresária, que afirma que a terra é produtiva, ela ainda explica que detém o título definitivo da área. Durante o vídeo, que pode ser visto abaixo, ela também intercala a sua fala nesse sentido compartilhando imagens de gado no pasto e maquinário.
“Moramos em Parauapebas há mais de 38 anos. Nossa terra foi invadida, ela é de de 50 alqueires e temos o título definitivo, uma terra produtiva e estão nos obrigando a dar bois, já mataram vários. Nos ajude, estamos nos sentindo desrespeitados, humilhados e passando por um momento muito difícil”, relatou a empresária Renilda Benevides.
Ainda em outro trecho do vídeo, a fazendeira cita que os integrantes do MST estão causando danos com a invasão. “Obrigando-nos a dar bois para eles. Já mataram vários, então, eu queria aqui, gente, fazer um apelo para a comunidade, para a sociedade, para a Justiça, para as autoridades competentes, nos ajude, porque nós estamos nos sentindo desrespeitados, humilhados”, disse, ela.
Segundo relato de Denilson Monteiro, líder do MST, a ocupação da área foi devido à necessidade de terem um acampamento maior, e próximo à fazenda na qual estão reivindicando. Ele explica que a ocupação integra as ações da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, engajada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “A nossa população já aumentou muito, e o espaço já não cabia”, disse ele.
A Associação Comercial e Industrial de Parauapebas (ACIP), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Parauapebas (CDL/Parauapebas), o Sindicato das Empresas de Alimentação e Hospitalidade de Parauapebas e Região (SEAHPAR) e o Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (SIPRODUZ) assinaram um documento endereçado ao titular da Delegacia Especializada de Conflitos Agrários da Comarca de Marabá – 10ª RISP CARAJÁS.
No documento, as entidades solicitam agilidade e diligência aos “pedidos de notícia crime e da ação de reintegração de posse, nº 0806267-64.2024.8.14.0028, que tramitam na Vara Agrária de Marabá-PA, tendo como Juiz Titular o Dr. Amarildo José Mazutti, que tratam da invasão da propriedade rural do empresário EDIVALDO BENEVIDES ALVES, fato que está consternando todos os nossos associados e filiados.
Sendo imprescindível a vossa intervenção imediata visando interromper os delitos de invasão, por tratar-se de propriedade privada, produtiva, que foi comprado por escritura pública, lavrada pelo 1º Cartório, livro 085, fls. 137, desde de 03 de dezembro de 2004. E que foi covardemente invadida utilizando-se de força, armamento, ameaçando e matando os animais, desde então mais de 10 animais, já foram furtados e mortos. (conforme boletins de ocorrência)”.
Invasões só crescem com leniência do Governo Federal
O MST anunciou sua intenção de duplicar o número de ocupações de terra até o final do “Abril Vermelho“. O objetivo é superar 50 ocupações, como forma de pressionar o governo federal a acelerar a reforma agrária no país. Até sexta-feira (19/4), o movimento havia registrado 26 ocupações de terra e cinco novos acampamentos em 18 estados e no Distrito Federal. No domingo (21/4), outra ocupação foi realizada, desta vez no município de Miguel Leão (PI).
Debate sobre o MST na Câmara
A questão da reforma agrária e das ocupações de terra pelo MST tem sido um tema de grande relevância e debate no Brasil. Enquanto o MST intensifica suas ações durante o “Abril Vermelho“, lembrando o massacre de Eldorado do Carajás e reivindicando a reforma agrária, a Câmara dos Deputados também está em movimento.
Nos últimos dias, a Câmara teve avanços significativos na tramitação de projetos de lei contrários à invasão de terras. Essas iniciativas acontecem em paralelo às ações do MST, com o objetivo de conter as invasões e garantir a segurança jurídica das propriedades rurais.
Um dos projetos em destaque visa frear o avanço de invasores de terra e está sendo discutido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Outro projeto, também relacionado ao tema, teve sua urgência aprovada no plenário da Câmara. Essas propostas fazem parte de um conjunto de 17 iniciativas “anti-invasão“, impulsionadas pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
O avanço desses projetos é resultado das mobilizações da bancada ruralista, que critica as ações realizadas pelo MST ao longo do mês de abril. De acordo com o movimento, foram registradas 24 ocupações de terras e montagem de acampamentos em 11 estados do país durante esse período.
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