Vitória do Zebu: Rótulos de carne deverão constar as raças

Rótulos de carnes da raça Angus devem indicar a presença de outros tipos de gado; Estudos mostram que composição média desse tipo de carne tem 43% de Nelore. Entenda!

Após um acordo com o Ministério Público Federal, a Associação Brasileira de Angus (ABA) irá modificar os rótulos das carnes da raça para constatar a presença de outros tipos de gado no produto. As embalagens devem conter a informação de que ao menos 50% da carne comercializada tem o genoma Angus, segundo o MPF. “Produzida de acordo com o Protocolo Angus, contendo no mínimo 50% de sangue Angus e suas cruzas” é o que deverá constar nos novos rótulos.

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em junho do ano passado, havia feito uma representação junto ao MPF contra a ABA. No documento, a entidade pede o reconhecimento da presença de gado zebuíno na carne que era comercializada como sendo Angus.

A decisão foi tomada durante reunião realizada por representantes da ABA com o procurador da República Thales Cardoso, ocorrida em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O MPF atendeu ao pedido da ABCZ, que pedia o reconhecimento da presença de gado zebuíno na composição da carne comercializada como angus.

Segundo o MPF, estudos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que constam nos autos do processo, a composição média desse tipo de carne comercializada no Brasil é de 57% da raça Angus, sendo os 43% restantes Nelore, um gado zebuíno.

Para o MPF, a ausência do novo rótulo levaria os consumidores ao engano e violando as normas do Ministério da Agricultura e Pecuária, segundo o qual as embalagens não podem trazer “informações falsas, incorretas, insuficientes, ou que possam induzir o consumidor a equívoco, erro, confusão ou engano, em relação à verdadeira natureza, composição, procedência, tipo ou qualidade”.

Angus é uma raça bovina que tem origem europeia e se destaca pela maciez. O gado zebuíno, por sua vez, tem origem indiana e, ao ser introduzido no país no período colonial, demonstrou grande capacidade de adaptação, o que impulsionou a popularidade da espécie no Brasil.

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